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Alphonsus de Guimaraens (1870 - 1921)

É o outro representante do Simbolismo brasileiro. Seus textos apresentavam uma temática variada:
a fuga da realidade, a natureza, a religiosidade, o amor espiritualizado, a mulher, muitas vezes comparada à Virgem Maria.

Exceto pelo abalo sentimental que teve aos 16 anos com a morte da prima Constança que amava, teve uma vida tranquila
e que se reflete na sua obra.

A poesia de Alphonsus de Guimaraens é mansa, dolente, amarga, mas suave, sem os toques trágicos do poeta negro
(Cruz e Sousa), a quem tanto admirou. Simbolista por excelência, seus poemas caracterizavam-se pela musicalidade,
vocabulário expressivo e anunciam uma busca da perene espiritualização.

Características

A obsessão do poeta pela musicalidade simbolista era tão grande que chegou a alterar o nome para uma forma mais
sonora: de GUIMARÃES para GUIMARAENS.

Suas principais características são:
 
a) Poesia mística: o misticismo católico é marcante em sua poesia, até nos títulos das obras.
 
b) Medievalismo: a idealização da mulher, o espiritualismo, a presença de Deus entre os homens.

c) Estilo simples e fluente: uma simplicidade bem elaborada, que se pode comparar à “música de câmara”, com sons velados, suaves e grande virtuosismo.

d) Temática:
1. O amor e a morte se complementam, pois o poeta somente atingiria o amor através da morte, ou seja, anulando a barreira física que o separava da ex-noiva, já morta.
2. Evocação de Constança. Como no poema abaixo, Constança é o símbolo de amor e da mulher ideal, sempre lembrada.
3. A Virgem
(Nossa Senhora) que o poeta celebrou em sua obra, mas que, às vezes, chegou a confundir com a outra virgem, sua noiva Constança.

OBRAS:

Em Setenário das Dores de Nossa Senhora, o lirismo religioso nos revela o fascínio perante as verdades do Cristianismo, mas impregnado na
contemplação mística da mulher, bem longe da sensualidade parnasiana de Bilac
; Dona Mística (1899); Kyriale (1902); uma obra póstuma: Pastoral
aos Crentes do Amor e da Morte (1923), Câmara Ardente (1899), Pauvre Lyre (1921)

Além do lirismo religioso e do amoroso, Alphonsus tem a preocupação com os mistérios da existência, procurando fugir à desgraça e à dor,
solitário na sua fantasia.

Sua poesia é marcada também pelo medievalismo (fuga para o mundo da fantasia onde o poeta consegue realizar-se como o cavalheiro
medieval ou como o trovador das cantigas de amor, ou ainda, como o espírito que vagueia no Éden).

Dois polos sobressaem-se em sua temática: o amor e a morte.

A CATEDRAL

“Entre brumas, ao longe, surge a aurora.
O hialino orvalho aos poucos se evapora,
Agoniza o arrebol.
A catedral ebúrnea do meu sonho
Aparece, na paz do céu risonho,
Toda branca de sol.

E o sino canta em lúgubres responsos:
‘Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!’

O astro glorioso segue a eterna estrada.
Uma áurea seta lhe cintila em cada
Refulgente raio de luz.
A catedral ebúrnea do meu sonho,
Onde os meus olhos tão cansados ponho,
Recebe a bênção de Jesus.

E o sino clama em lúgubres responsos:
‘Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!’

Por entre lírios e lilases desce
A tarde esquiva: amargurada prece
Põe-se a lua a rezar.
A catedral ebúrnea do meu sonho
Aparece, na paz do céu tristonho,
Toda branca de luar.

 


E o sino chora em lúgubres responsos:
‘Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!’

O céu é todo trevas: o vento uiva.
Do relâmpago a cabeleira ruiva
           Vem açoitar o rosto meu.
E a catedral ebúrnea do meu sonho
Afunda-se no caos do céu medonho
Como um astro que já morreu.

E o sino geme em lúgubres responsos:
Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!’”

 

Vocabulário:
Bruma: nevoeiro, neblina.
Hialino: que tem a aparência do vidro ou a transparência do vidro.
Arrebol: coloração avermelhada do nascer ou do pôr do sol.
Ebúrnea: de marfim; que tem a aparência do marfim.
Lúgubre: triste, fúnebre.
Responso: versículo rezado ou cantado alternadamente pelos
dois coros, ou pelo coro e por um solista depois da leitura de
determinados textos litúrgicos.
Esquivo: arisco, intratável.

 

 


EMILlANO PERNETA (1866 -1921)

É considerado introdutor do Simbolismo no Brasil por suas atividades na “Folha Popular”, jornal em que publicou os primeiros manifestos
simbolistas. Amigo fraterno de Cruz e Sousa, sua poesia pode ser considerada expressionista, às vezes contendo um clima satânico por influência do
poeta francês Baudelaire e do próprio Romantismo que subjaz ao Simbolismo. Sua produção poética também mostra um homem arrastado pelo desejo
intenso de conhecer o próprio fim.

Poeta paranaense, impôs-se aos conterrâneos como exemplo e modelo. Formado em Direito, desempenhou, em Curitiba, a advocacia, o
jornalismo e o magistério como homem de letras. Escreveu: Músicas (1888), Inimigo, Ilusão e Setembro. Sua prosa ainda está inédita e a poesia
de Emiliano Perneta, lida e valorizada por poucos, espera um estudo analítico à sua altura.

DAMAS

“Ânsia de te querer que já não tem mais fim,
Meu espírito vai, meu coração caminha,
Como uma estrela, como um sol, como um clarim,
Mas tudo em vão, sei eu! Tu és uma rainha! ...

És a constelação maravilhosa, a minha
Aspiração, de luz magnífica, ai de mim!
A nudez, o clarão, a formosura, a linha,
O espelho ideal! Ó Torre de Marfim!

Nunca me hás de querer, batendo-me por ti,
Pomo duma discórdia infrutífera, beijo
Todo em fogo, e a arder, assim como um rubi...

Mas é por isso que eu, ó desesperação,
Amo-te com furor, com ódio te desejo,
E mordo-te, Ideal, e adoro-te, Ilusão!”

 

Silveira Neto (1872—1942)

Nascido em Morretes, ali exerceu cargo público até aposentar-se, mudando-se, então, para o Rio de Janeiro, onde residiu até a morte.
Sua poesia demonstra traços de
pessimismo, apego à família e sensibilidade. Suas obras:

Luar de hinverno
(o “h” é um requinte estético)
Ronda crepuscular

POETAS DE VALOR LOCAL

Alceu Wamosy (RS): Coroa de Sonhos
Mário Pederneiras (RJ): Agonias; Rondas Noturnas; História do meu Casal; Outono
Pedro Kilkerry (Bahia): sem obra publicada
Da Costa e Silva (Piauí)

PRÉ-MODERNISMO