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Barroco (1601-1768)
 

CONTEXTO HISTÓRICO

Após as reformas religiosas ocorridas na Europa, a Espanha começara a representar, com seus reis católicos, o grande baluarte do catolicismo.
Pelas ligações sanguíneas, Portugal passou a pertencer temporariamente à coroa espanhola e, consequentemente, suas colônias. As duas grandes
nações dividiam a América, dela extraíam riquezas e podiam viver praticamente independentes do resto do continente, que lhes invejava a opulência.
Na Espanha, surgira uma ordem religiosa destinada a criar uma
contra-reforma dentro da Igreja e o poder religioso, como
um todo, ganhou muito prestígio, recrudescendo a antiga Inquisição. Entrou em vigor na Igreja a visão cristã do Concílio de
Trento. Desencadeou-se uma reação contra o paganismo e o racionalismo da
Renascença, reavivando-se a religiosidade medieval.
Colocou-se, portanto, o homem entre dois pólos antagônicos:
antropocentrismo (homem como centro do universo) e
teocentrismo (Deus como o centro do universo)...

Outros nomes do Barroco

Marinismo:
na Itália, por influencia do poeta Giambattista Marini;
Gongorismo: na Espanha, por influencia do poeta Luiz de Gôngora y Argote. Nesse país, Barroco e Gongorismo são sinônimas;
Preciosismo: na França, em razão do requinte formal dos poetas;
Eufuísmo: na Inglaterra, termo criado a partir do titulo do romance Euphues, or the anatomy of wit, do
escritor John Lyly.

                                                                                            
   CEREJA & COCHAR. Português: linguagens. São Paulo: Ática. 1999.

Características da linguagem barroca

A linguagem barroca tem algumas características essenciais tais como: grande interesse por temas
religiosos, os dualismos que retratam o conflito espiritual do homem da época, a morbidez como maneira
de acentuar o sentimento trágico que estes poetas têm com relação à vida, o emprego constante de figuras
de linguagem, o uso de uma linguagem requintada

üA efemeridade do tempo: o homem barroco tem a concepção que a vida terrena é efêmera,
passageira, e por isso, pensa muito em uma salvação espiritual. Entretanto, com a vida é
passageira, tem ao mesmo tempo a necessidade de aproveitá-la, antes que ela acabe o que gera
um sentimento contraditório, já que desfrutá-la significa pecar, e, se há pecado não existe salvação.


ü Cultismo: remete ao excessivo rebuscamento formal, manifestado no uso de jogos de palavras e
no grande uso de figuras de linguagem. O cultismo, além disso, explora efeitos sensoriais tais como
cor, forma, tom, volume, sonoridade, imagens violentas e fantasiosas, recursos que sugerem, então,
a ultrapassagem dos limites da realidade.


ü
Conceptismo: (vem do espanhol concepto, “ideia”) é o jogo de ideias, formado através das
sutilezas do raciocínio e do pensamento lógico, por analogia, etc. De uma maneira geral é mais
comum o cultismo aparecer na poesia e o conceptismo na prosa, porém, é perfeitamente possível
aparecerem ambos em um mesmo texto.

ü
Jogo de claro-escuro: essa característica é mais comum de aparecer nas artes plásticas, visto
que, o Barroco aprecia fundir a luz à sombra, o claro e o escuro, o que pode se estender ao conflito
do desejo do homem de fundir a fé à razão ou emoção/sensação.

INÍCIO NO BRASIL

A publicação do poema épico "Prosopopeia", de Bento Teixeira Pinto, em 1601, costuma ser tomada como marco
oficial do início do Barroco literário no  Brasil. Como sua atividade foi mais intensa na Bahia, às vezes, é denominado

de "escola baiana".

CARACTERÍSTICAS GERAIS DO BARROCO
Foi marcado pelo espírito humanista e barroco dos padres jesuítas, daí a forte conotação religiosa. Suas principais
características são:

Rebuscamento formal: tanto os textos em prosa como em verso, são carregados de figuras de estilo (paradoxos,
antíteses, hipérbatos, metáforas).


Fraqueza de conteúdo: talvez o medo, a limitação pela Igreja, faziam com que os temas estivessem sempre ligados à
moral, religião etc.


Religiosidade medieval:
procuravam-se valorizar os bens eternos, condenando os valores renascentistas: luxo, amor
mundano, riquezas etc.


Contraste e dualismo:
a existência de um constante conflito entre os valores renascentistas (racionais e pagãos) e os
medievais (religiosos e baseados na fé). O homem debateu-se entre esses dois pólos.


Hermetismo ou dificilismo:
literatura de compreensão difícil, em estilo rebuscado, jogo de palavras e raciocínios complexos.
“Carpe diem”: a preocupação constante com a efemeridade da vida. Para uns, motivo da preocupação com o eterno;
para outros, preocupação em gozar a vida.

Sensorialismo:
exploração de imagens que apelam para os diversos sentidos e emocionem o leitor.


O homem seiscentista vive um estado de tensão e desequilíbrio que acaba gerando uma produção literária
eminentemente rebuscada. É o reflexo do dilema, do conflito entre o terreno e o celestial, o homem e
Deus, o pecado e a salvação, o material e o espiritual, numa busca constante de aproximação de elementos
díspares, através de figuras de linguagem, tais como:
 

Metáfora: é uma comparação implícita. Tem-se como exemplo o trecho a seguir, escrito por Gregório de Matos:

Se és fogo, como passas brandamente?
Se és neve, como queimas com porfia?

Antítese: reflete a contradição do homem barroco, seu dualismo. Revela o contraste que o escritor vê em quase tudo.
Observe a seguir o trecho de Manuel Botelho de Oliveira, no qual é descrita uma ilha, salientando-se seus elementos contrastantes:

Vista por fora é pouco apetecida
Porque aos olhos por feia é parecida;
Porém, dentro habitada
É muito bela, muito desejada,
É como a concha tosca e deslustrosa,
Que dentro cria a pérola formosa.

Paradoxo: corresponde à união de duas ideias contrárias num só pensamento. Opõe-se ao racionalismo da arte renascentista.
Veja a estrofe a seguir, de Gregório de Matos:

Ardor em firme Coração nascido;
pranto por belos olhos derramado;
incêndio em mares de água disfarçado;
rio de neve em fogo convertido.

Hipérbole: traduz ideia de grandiosidade, pompa. Veja mais um exemplo de Gregório de Matos:

É a vaidade, Fábio, nesta vida, 
Rosa, que da manhã lisonjeada,
Púrpuras mil, com ambição dourada, 
Airosa rompe, arrasta presumida.

 Prosopopeia: personificação de seres inanimados para dinamizar a realidade. Observe um trecho escrito pelo Padre Antonio Vieira:

No diamante agradou-me o forte, no cedro o incorruptível, na águia o sublime, no Leão o generoso, no Sol o excesso de Luz.

 

 

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