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Machado de Assis (1839 – 1908)

Joaquim Maria Machado de Assis nasceu no Rio de Janeiro, RJ em 21 de junho de 1839 e passou a infância e a adolescência
no morro do Livramento. Cedo perdeu a mãe e ficou sob os cuidados da madrasta, Maria Inês. Fez os estudos primários numa escola
pública do bairro de São Cristóvão e foi aluno do padre Silveira Sarmento, que o contratou como sacristão. Interessou-se então pelo
estudo de línguas e aprendeu francês, inglês e alemão.

Entrou como aprendiz de tipógrafo na Imprensa Nacional, de onde passou, como revisor de provas, para a tipografia de Paula Brito. Lá
conheceu escritores e jornalistas. A partir desse ano, colaborou no Correio Mercantil, Diário do Rio de Janeiro, Semana Ilustrada e
Jornal das Famílias, periódicos onde publicou boa parte de sua obra inicial.

Casou-se em 1869 com Dona Carolina Augusta Xavier de Novaes, portuguesa recém chegada ao Brasil, que o ajudou no aprimoramento
da sua cultura, até então quase toda autodidata. Entrou, nessa época, para o serviço público e chegou ao cargo de Diretor Geral de Contabilidade
do Ministério da Viação.

Fundou a Academia Brasileira de Letras (1896), da qual foi, por aclamação, o primeiro presidente.

Teve intensa atividade na imprensa, criando a crônica, de que se tornou um grande mestre.

É considerado um dos mais completos escritores brasileiros:
poeta, contista, romancista,dramaturgo e crítico literário, além de jornalista.

O autor carioca iniciou sua carreira literária produzindo romances ainda bastante influenciados pelo Romantismo, mais tarde, após 1881,
suas narrativas foram se modificando e os jogos de interesse presentes nas relações sociais, os contrastes entre as máscaras e os reais
desejos das personagens, a ironia, a intertextualidade, o adultério se colocaram em primeiro plano na obra do autor.

No ensaio, revelou-se prosador correto, elegante e agudo crítico literário e teatral. Como cronista, é um dos maiores do Brasil: ágil,
espirituoso, sempre atento aos acontecimentos, conseguiu captar e tratar com humor a alma carioca de sua época.

No conto, Machado de Assis produziu algumas obras-primas. São contos de observação da vida exterior e de análise psicológica, em
que o autor foi mestre consumado. O conto machadiano é uma arte de pormenores, de sutilezas, em que há o engaste perfeito da
simplicidade do estilo, do humor e da reflexão.

Já nos primeiros romances, Machado deixa entrever as qualidades de grande prosador. Brás Cubas é o romance que serve de divisor
de águas da obra machadiana e inaugura a fase de maturidade do escritor; Dom Casmurro faz voltar o estilo das memórias quase póstumas,
ao apresentar o relato de Bentinho, que se crê traído pela mulher e pelo melhor amigo, e relata sua vida quando ambos já estão mortos.

As primeiras obras, embora românticas, já esboçam, nas entrelinhas das situações insípidas, não apenas o perfil do sóbrio estilista, mas
algumas das linhas mestras que se afirmam em sua obra a partir de Brás Cubas. Sutil e reticente, Machado examina a precariedade da
condição humana e destila, vagaroso e implacável, seu fel contra a vida e os homens. A dúvida, a indecisão, o logro e a loucura são temas
característicos de seus romances, a que, se faltam pujança e paixão, sobram estilo e viva observação psicológica. O agravamento de sua
doença, a epilepsia, mal que, latente na infância, acentuou-se por volta dos quarenta anos, talvez determinasse de certa forma seu radical
e incurável ceticismo. Machado de Assis levou vida retirada depois da morte da esposa, em 1904, e morreu em 29 de setembro de 1908,
na casa do Cosme Velho, no Rio de Janeiro.

É difícil enquadrar Machado de Assis como um autor realista típico. De maneira diferente de seus contemporâneos Eça de Queirós, Raul Pompéia
ou Aluísio Azevedo, o autor refletiu insistentemente sobre a questão: até que ponto a ética e os valores morais resistem aos interesses individuais?
Machado investigou o homem do século XIX de maneira não-esquemática (bastante comum no Realismo/Naturalismo), com humor fino e sutil, em
enredos não-lineares, utilizando-se da metalinguagem.

Machado de Assis tem obras românticas, escritas até os seus quarenta anos (1879), e realistas, depois dessa data.
Os seus melhores romances, de mais profunda análise da alma humana, são os de fim de século:
 

Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881),
Quincas Borba (1891) e Dom Casmurro (1899).
             

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