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                              MÁRIO DE ANDRADE  (1893 - 1945)

Cognominado de 0 Papa do Modernismo, foi, sem dúvida, o espírito mais vasto do Modernismo; o mais versátil e culto, o que maior
influência exerceu.

Foi poeta, romancista, crítico, folclorista, musicista. Nascido em São Paulo, encontrou, na própria cidade, o motivo de sua poesia. A poesia
urbana de Mário nasce dos horizontes de cimento armado, das brisas misturadas com a fumaça das chaminés, das colinas de asfalto, dos
exuberantes linguajares cotidianos e das caricaturas humanas da
“selva da cidade” .

Mário de Andrade era irreverente e criativo, em suas obras buscou incorporar o novo, rompendo com todas as estruturas ligadas ao passado. Preocupou-se
com uma língua que fosse próxima do falar do povo, que fosse reflexo da cultura popular.Escreveu tanto poesias como prosa. Seu livro
Paulicéia Desvairada
é considerado o primeiro do Modernismo brasileiro, pois rompe com o academismo vigente.

Veja alguns trechos do prefácio desse livro, chamado pelo próprio Mário de:

                         Prefácio Interessantíssimo.
Leitor:
Está fundado o Desvairismo.
Este prefácio, apesar de interessante, inútil.
(...)
Alguns dados. Nem todos. Sem conclusões.

Para quem me aceita são inúteis ambos.
Os curiosos terão prazer em descobrir minhas conclusões,
confrontando obra e dados.
Para quem me rejeita trabalho perdido explicar o que, antes de
ler, já não aceitou.
(...)
Quando sinto a impulsão lírica escrevo sem pensar tudo o que
meu inconsciente me grita.
Penso depois: não só para corrigir, como para justificar o que
escrevi. Daí a razão deste prefácio Interessantíssimo.
(...)
                

 

 

O caráter debochado e inovador está presente não só ao longo de todo o livro, mas em toda sua obra. Como podemos ver em Macunaíma, seu romance
modernista, ou como ele próprio nomeou, sua rapsódia.

O livro Macunaíma, que apresenta o subtítulo o herói sem nenhum caráter é um romance-rapsódia que discute a nacionalidade brasileira.

Rapsódia é uma composição que mistura elementos da música e do folclore de um povo. E é justamente isso que Mário de Andrade faz ao contar a história de
Macunaíma, o índio que nasceu preto e depois virou branco. Veja um trecho do livro em que é narrado o nascimento de Macunaíma:

“No fundo do mato-virgem nasceu Macunaíma, herói de nossa gente. Era preto
retinto e filho do medo da noite. Houve um momento em que o silêncio foi tão
grande escutando o murmurejo do Uraricoera, que a índia tapanhumas pariu uma
criança feia. Essa criança é que chamara Macunaíma.
Já na meninice fez coisas de sarapantar. De primeiro passou mais de seis anos não
falando. Si o incitavam a falar, exclamava:
_ Ai! que preguiça! ... e não dizia mais nada. Ficava no canto da maloca, trepado
no jirau de paxiúba, espiando o trabalho dos outros e principalmente os dois
manos que tinha, Maanape já velhinho e Jiguê na força de homem. O divertimento
dele era decepar cabeça de saúva.
Vicia deitado mas si punha os olhos em dinheiro, Macunaíma dandava pra ganhar
vintém. E também espertava quando a família ia tomar banho no rio, todos juntos
e nus (...) No mucambo si alguma cunhatã se aproximava dele pra fazer festinha,
Macunaíma punha a mão nas graças dela, cunhatã se afasta (...)”

Macunaíma era preguiço, debochado, egoísta, um verdadeiro malandro, muito diferente da figura dos mocinhos dos livros. Ele é considerado um anti-herói,
daí a expressão: “o herói sem nenhum caráter”, já sugerida pelo próprio significado do nome Macunaíma, que é mal grande.

OSWALD DE ANDRADE