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MODERNISMO 3ª FASE (1945 - 1964)

Fase de reflexão de ponderação sobre a linguagem (metalinguagem), com o retorno a alguns modelos estilísticos tradicionais,
ao que se soma uma temática universalista.


Com a transformação do cenário sócio-político do Brasil, a literatura também se transformou. O fim da Era Vargas, a ascensão e
queda do Populismo, a Ditadura Militar, e o contexto da Guerra Fria, foram, portanto, de grande influência na Terceira Fase.
Na prosa, tanto no romance quanto no conto, houve a busca de uma literatura intimista, de sondagem psicológica e introspectiva,
tendo como destaque Clarice Lispector. O regionalismo, ao mesmo tempo, ganha uma nova dimensão com a recriação dos
costumes e da fala sertaneja com Guimarães Rosa, penetrando fundo na psicologia do jagunço do Brasil central.

A pesquisa da linguagem foi um traço característico dos autores citados, sendo eles chamados de instrumentalistas.

A geração de 45 surge com poetas opositores das conquistas e inovações modernistas de 22. A nova proposta, inicialmente,
é defendida pela revista Orfeu em 1947. Negando a liberdade formal, as ironias, as sátiras e outras características modernistas,
os poetas de 45 buscaram uma poesia mais “equilibrada e séria”, tendo como modelos os Parnasianos e Simbolistas. No fim
dos anos 40, surge um poeta singular, não estando filiado esteticamente a nenhuma tendência: João Cabral de Melo Neto.

Contexto Histórico

Em 1945, um clima de liberdade varria, com a derrota das potências fascistas, o mundo e o Brasil. O Estado Novo caiu com violência.
Em eleições livres diretas, os brasileiros elegeram uma
Assembleia Nacional Constituinte e o General Eurico Gaspar Dutra, presidente.
Em literatura apareceu uma nova geração que cultuava certo formalismo literário. De resto, continuavam em plena produção os modernistas
de 22, os romancistas nordestinos e também os poetas mineiros. Ao final da guerra, a economia brasileira ia bem:
havia um saldo favorável, em moeda forte, ao Brasil que, durante toda a guerra, exportava matérias-primas e alimentos em grande quantidade.

Em 1950, Getúlio Vargas foi eleito presidente, em eleições livres e diretas, com uma plataforma nacionalista. O Governo de Getúlio Vargas
sofrendo uma grande oposição, principalmente da imprensa, o que deflagrou uma forte crise político-militar. Em consequência, o Presidente
Getúlio Vargas praticou suicídio em agosto de 1954.

Assume então, o residente Juscelino Kubitschek que procurou desenvolver o País a todo custo, causando inflação interna e o endividamento
externo.

Em seguida temos o Jânio Quadros, que renuncia à presidência de maneira súbita deixando no poder o Vice-Presidente João Goulart.


Uma vez no poder, João Goulart livrou-se do Parlamentarismo e executou uma agressiva campanha para realizar reformas de base.
Durante o seu governo, as forças de esquerda organizaram os
Centros de Cultura Popular (CPC) que procuravam criar as bases de
uma arte popular e engajada. Jango foi derrubado do Poder pelos militares, em 31 de março de 1964.
O Primeiro Presidente militar foi o Marechal Castelo Branco. Alguns intelectuais procuram responder às ideias do Governo através
de espetáculos teatrais. Assim, o Grupo Opinião montou Carcará, o Teatro de Arena montou Arena conta Zumbi, Millôr Fernandes e Flávio Rangel
montaram Liberdade, Liberdade.

CARACTERÍSTICAS GERAIS

Para muitos, essa foi de fato a fase esteticista do Modernismo, tanto na poesia, quanto na prosa. Faltava, para coroar a reforma apregoada pelo
Modernismo, o “acabamento”, que veio com a “geração de 45”, ansiosa por inovar, porém dentro de uma linha
disciplinada e racional. O estudo
de mestres universais da literatura (Poe, Mallarmé, entre outros) e os ensaios, quer fossem traduzidos ou nacionais, pregavam a
supremacia da
consciência
sobre a inspiração. Foi a hora do escritor artífice: trabalho, pesquisa, elaboração norteavam o artista.
Naturalmente, há algumas diferenças entre a poesia e a prosa, por isso uma análise mais detalhada requer que as duas manifestações sejam vistas
em separado. Na poesia, houve basicamente três grandes linhas, a saber:

Geração de 45
Julgando desleixada a poesia da fase anterior, puseram-se em busca de limpidez de expressão e do apuro formal. A obsessão de alguns autores
em restaurar formas poéticas, como o soneto, valeu-lhes a denominação pejorativa de
neoparnasianos. O representante mais significativo dessa fase
é João Cabral de Melo Neto, que prega a
palavra-chumbo, ou seja, que tem peso, significado múltiplo, que crê no poeta-engenheiro, o que cria mais
pelo trabalho e esforço do que pela inspiração, em que afirma não acreditar.

Catar Feijão

Catar feijão se limita com escrever:
joga-se os grãos na água do alguidar
e as palavras na da folha de papel;
e depois, joga-se fora o que boiar.
Certo, toda palavra boiará no papel,
água congelada, por chumbo seu verbo:
pois para catar esse feijão, soprar nele,
e jogar fora o leve e oco, palha e eco.

                                                                                João Cabral de Melo Neto

MANIFESTAÇÃO ARTÍSTICA

Pintura

A partir de 1945, a fundação de museus foi um fator de grande importância para a divulgação das artes
plásticas. Da mesma forma, a Bienal de SãoPaulo, a partir de 1950, faria convergir para cá a arte
contemporânea de todas as partes do mundo.

Aparece o grupo concretista em cujas obras predomina o geometrismo (década de 50).

Arquitetura

Brasília é o exemplo mais veemente das renovações que caracterizam o período em questão.

Teatro

O teatro foi a forma de expressão artística que maior renovação apresentou nesse período. Surgem nomes como Ariano Suassuna, Jorge de Andrade,
Guarnieri, Augusto Boal, para citar alguns.

Em 1943, já se pressentia essa renovação no plano cênico, quando Ziembinski dirigiu a montagem de Vestido de noiva de Nélson Rodrigues.

É importante assinalar ainda, a partir de 1950, o trabalho desenvolvido pelo Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) e pelo Teatro de Arena, responsáveis
por uma mudança radical no teatro brasileiro. Nesse período de luta ideológica aguda, a palavra passou a ter grande destaque. Cresce o valor do copy-desk.
O título da revista mais importante surgida no período é “Manchete”.

Na imprensa, a forma visual é um dos aspectos da luta. Os recursos gráficos e o uso da cor são mais um motivo para ataques ao jornal “Última
Hora” pelos antivargas, que sentiram necessidade de apresentar resposta por um signo visual: a lanterna (símbolo da “Tribuna da Imprensa”, de
Carlos Lacerda). Na música, começa em 1955 - 1956, o movimento da música popular.

PROSA

A terceira fase do Modernismo buscou o aperfeiçoamento do romance de 30. O modo como passam a ser tratados os assuntos mostra que o empenho literário
deixou de ser a denúncia de uma realidade brasileira, que instigava a uma revolução, para ser uma “obra de arte”, para ser compreendida como produto do domínio
da língua em todos os seus aspectos, épocas e níveis; domínio das técnicas construtivas da ficção.

Grande sertão: veredas - Guimarães Rosa; A maçã no escuro - Clarice Lispector; Novelas nada exemplares - Dalton Trevisan; Chapadão do bugre -
Mário Palmério; Nove novenas - Osman Lins são exemplos significativos.

A obra do período não se popularizou como o romance de 30 por ser considerada difícil e muito “intelectual”.

Enriquecida por grande número de contos, crônicas e romances, a prosa do período dá sequência às três tendências básicas já observadas no segundo momento
 modernista, mas com
considerável renovação formal.

a) Prosa urbana –
Dalton Trevisan é o nome mais importante surgido na terceira fase.
Destacam-se ainda as crônicas de Rubem Braga e os romances e contos de Lygia Fagundes Telles.

b) Prosa intimista –
Esboçada na 2ª fase, a tendência intimista amadurece, gerando textos cada vez mais complexos e penetrantes.
Clarice Lispector é a melhor representante dessa prosa.

c) Prosa regionalista –
Uma das tendências mais duradouras de nossa literatura, a prosa regionalista, surgida no Romantismo, vai ser retomada, porém com
grandes inovações temáticas
e linguísticas. Destacam-se Herberto Sales, Mário Palmério e Bernardo Elis. Mas nenhum deles produziu prosa regionalista tão
ousada como Guimarães Rosa, o grande renovador de nosso
regionalismo.
É preciso não esquecer que grande parte dos escritores da fase anterior continuava ainda em plena produção artística.

Poesia

A novidade do período foi um grupo de escritores que se autodenominaram geração de 45. Esses poetas reagiram ao que consideravam os exageros de 22,
propondo uma linguagem precisa, equilibrada e o abandono do prosaísmo. Retomavam a metrificação, afastando o verso livre. A poesia passou a ser considerada
como um artefato, resultante da precisão formal e da correção de linguagem. Repeliam-se, conseqüentemente, o poema-piada e as infrações à norma

culta, que os poetas da geração de 45 consideravam um “falso” abrasileiramento da linguagem.

Muitos críticos vêem nessas propostas um retorno ao Parnasianismo; por isso, a geração de 45 foi intitulada de
neoparnasiana.

Uns dos principais nomes destacam-se: João Cabral de Melo Neto, Ferreira Gullar e José Paulo Paes.

Crônicas

Foi dos gêneros que mais se renovou a partir do final da década de 40, registrando a fala do povo e sua psicologia e retratando o cotidiano, com humor, ironia e lirismo,
numa perspectiva crítica e reveladora. Destacam-se, entre outros:
Paulo Mendes Campos, Rubem Braga, Fernando Sabino e Carlos Drummond de Andrade.

CLARICE LISPECTOR