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MODERNISMO NO BRASIL (1922)

Contexto Histórico
Muito influenciadas pelos movimentos da Vanguarda Europeia e pelo Modernismo português, as manifestações modernas no Brasil
começam a aparecer muito antes de 1922.


            AV. PAULISTA (1917)

               
                                    AV. TIRADENTES 1927

Essas imagens são da cidade de São Paulo na década de 20 do século passado Nesse período São Paulo era considerada a cidade mais
moderna de todo o Brasil. Moderna em todos os sentidos, tanto nos aspectos positivos, quanto nos aspectos negativos da modernidade.
Já nessa época mostrava uma grande desigualdade: de um lado os grandes proprietários de indústrias, a alta sociedade cafeeira, símbolos
da riqueza, e de outro os operários, os imigrantes, símbolos da miséria e da exploração.

O marco inicial do modernismo brasileiro foi a Semana de Arte Moderna de 1922, que ocorreu na cidade mais avançada, mais moderna da época:


         TEATRO MUNICIPAL 1922

Os dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922, entraram para a história da literatura brasileira , eles formam a conhecida “A Semana de Arte Moderna”, que ocorreu no
teatro Municipal de São Paulo.

Entretanto, é importante observamos que o Modernismo brasileiro não começou a partir desse evento. Vários fatos e trabalhos foram responsáveis pelo o que ocorreu
na Semana. Entre os principais antecedentes da semana de 22 estão: a volta de Oswald de Andrade da Europa, onde entrou em contato com as inovações propostas
pela Vanguarda Européia, principalmente com o Futurismo de Marinetti; a primeira exposição dos quadros expressionistas de Lasar Segall, chocando-se com a pintura
acadêmica da época; a fundação da Revista Orpheu, símbolo do Modernismo em Portugal; a publicação de vários livros dos autores que participariam mais tarde da
Semana de 22 e o grande estopim e a grande mola propulsora do Modernismo, segundo muitos estudiosos, a exposição da pintora Anita Malfatti, que como já vimos
recebeu uma forte crítica de Monteiro Lobato, no artigo intitulado Paranóia ou Mistificação ?

Desde a abertura da Semana, com a conferência equivocada de Graça Aranha: A emoção estética na Arte Moderna, até a leitura de trechos vanguardistas por Mário
de Andrade, Menotti del Picchia, Oswald de Andrade e outros, o público se manifestaria por apupos e aplausos fortes.

Apresentaram-se vários artistas representantes das novas tendências, em meio a escândalos, vaias e tumultos. Os modernistas se afirmavam, violenta e
escandalosamente, propugnados pela libertação artística em todos os níveis: vocabulário, sintaxe, escolha dos temas, maneiras de encarar o mundo.
Pretendiam colocar a cultura brasileira a par das correntes de vanguarda do pensamento europeu, ao mesmo tempo que pregava a tomada de consciência
da realidade brasileira.

Porém, o momento mais sensacional da  Semana ocorre na segunda noite, quando Ronald de Carvalho lê um poema de Manuel Bandeira, o qual não comparecera ao
teatro por motivos de saúde: Os sapos. Trata-se de uma ironia corrosiva aos parnasianos, que ainda dominavam o gosto do público. Este reage através de vaias, gritos,
patadas, interrompendo a sessão. Mas, metaforicamente, com sua iconoclastia pesada, o poema delimita o fim de uma época cultural.

         OS SAPOS

Enfunando os papos,
Saem da penumbra,
Aos pulos, os sapos.
A luz os deslumbra.
Em ronco que aterra,
Berra o sapo-boi:
'- Meu pai foi à guerra
- Não foi! - Foi! - Não foi!' O sapo-tanoeiro
Parnasiano aguado
Diz: - 'Meu cancioneiro
É bem martelado*.'
Vede como primo
Em comer os hiatos!
Que arte! E nunca rimo
Os termos cognatos.
O meu verso é bom
Frumento* sem joio.

 

Faço rimas com
Consoantes de apoio.
Vai por cinqüenta anos
Que lhe dei a norma:
Reduzi sem danos
A formas a forma. Clame a sapataria
Em críticas céticas:
'Não há mais poesia,
Mas há artes poéticas...'
Brada de um assomo
O sapo-tanoeiro:
'A grande arte é como
Lavor de Joalheiro'
Urra o sapo-boi:
'- Meu pai foi rei - Foi!
- Não foi! - Foi! - não foi!'

 

Os Sapos, de Manuel Bandeira é uma paródia do conhecido poema Profissão de Fé, do parnasiano Olavo Bilac. É um poema-piada, satirizando a extrema preocupação
parnasiana com a forma, ou seja, com as rimas com a seleção vocabular. É uma crítica aos parnasianos. A expressão sapo tanoeiro é uma referência direta a Bilac, pois
tanoeiro é um artesão. Lembre-se de que Bilac comparava a tarefa do poeta à do artesão. E sapo-cururu é o poeta moderno, autêntico, simples, sem artificialismos.

Alguns nomes se destacaram:
a) na música: Heitor Villa-Lobos;
b) na arquitetura: Antonio Moya;
c) na pintura: Anita Malfatti, Di Cavalcanti e Rego Monteiro;
d) na literatura: Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Manuel Bandeira, Graça Aranha e Ronald de Carvalho, entre outros.

                                   FASES DO MODERNISMO

Didaticamente, divide-se o Modernismo em três grandes fases:
 

1ª Fase (1922-1930) HERÓICA

• Oswald de Andrade
• Mário de Andrade
• Manuel Bandeira
• Alcântara Machado
2ª Fase (1930-1945) CONSOLIDAÇÃO
Poesia:
• Carlos Drummond de Andrade
• Cecília Meireles
• Vinícius de Moraes

Prosa:
• José Lins do Rego
• Graciliano Ramos
• Jorge Amado
3ª Fase (1945 em diante) REFLEXÃO
• Guimarães Rosa
• Clarice Lispector
• João Cabral de Melo Neto

A primeira fase, conhecida como heróica, compreende o período de 1922 a 1930 e apresenta o desejo de liberdade, de ruptura e de destruição do passado como
características marcantes.


Os principais autores são: Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Manuel Bandeira e Alcântara Machado.

A segunda se estende de 1930 a 1945 e é conhecida como a fase da consolidação das conquistas anteriores. Essa segunda fase subdivide-se em dois grupos:
a poesia, em que se destacam: Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles e Vinícius de Moraes e a prosa, representada entre outros autores, por José
Lins do Rego
, Graciliano Ramos e Jorge Amado.

A terceira fase, de 1945 em diante, é conhecida como a fase da reflexão e da universalidade temática. Os principais autores desse período são: Guimarães Rosa,
Clarice Lispector e João Cabral de Melo Neto.

                                              PRIMEIRA FASE (1922 – 1930)
 

A primeira fase do Modernismo, marcada pelo signo da transformação, ficou conhecida como a fase “heróica” ou de destruição, pela postura de
rompimento com o passado, vista por muitos como
anárquica e destruidora.

Essa Fase foi caracterizada pela tentativa de definir e marcar posições, sendo ela rica em manifestos e revistas de circulação efêmera. Havia a
busca pelo moderno, original e polêmico, com o nacionalismo em suas múltiplas facetas. A volta das origens, através da valorização do indígena
e a língua falada pelo povo, também foram abordados.

Contudo, o nacionalismo foi empregado de duas formas distintas: a crítica, alinhado a esquerda política através da denúncia da realidade, e a ufanista,
exagerado e de extrema direita. Devido à necessidade de definições e de rompimento com todas as estruturas do passado foi a fase mais radical,
assumindo um caráter anárquico e destruidor. Um mês depois da Semana de Arte Moderna, o Brasil vivia dois momentos de grande importância política:
as eleições presidenciais e o congresso de fundação do Partido Comunista em Niterói. Em 1926, surge o Partido Democrático, sendo Mário de Andrade
um de seus fundadores.

A Ação Integralista Brasileira, movimento nacionalista radical, também vai ser fundado, em 1932, por Plínio Salgado.

Dentre as principais características literárias observadas nos textos dessa geração, destacam-se:

· Negação do passado, caráter destrutivo;
· Eleição do moderno como um valor em si mesmo;
· Valorização do cotidiano;
· Nacionalismo;
· Redescoberta da realidade brasileira;
· Desejo de liberdade no uso das estruturas da língua;
· Predominância da poesia sobre a prosa.

DESDOBRAMENTOS MODERNISTAS