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MONTEIRO LOBATO  (Taubaté, SP, 1882 - São Paulo, SP 1948)

Homem de diversas atividades. Ingressa na Faculdade de Direito de São Paulo, em 1900. Participa de grupos e jornais literários,
entre eles o Minarete composto também por Godofredo Rangel, José Antonio Nogueira e outros.

Bacharela-se em 1904 e retorna à sua cidade natal. Torna-se promotor público em Areias (SP) e depois, abandona o Ministério
Público para ser fazendeiro, pois herda a fazenda Buquira, propriedade de seu avô, o Visconde de Tremembé. No ano de 1916,
adquire e dirige a Revista do Brasils, tornando-se editor dela, juntamente com a instalação da Editora Monteiro Lobato, que traz
grandes inovações para o mercado editorial brasileiro. Ainda assim, Lobato acaba falido. Em 1917, vende sua fazenda e transfere-se
para São Paulo. Publica, no jornal "O Estado de São Paulo", o artigo contra a pintora Anita Malfatti: A Propósito da Exposição Malfatti,
expressando uma postura agressiva contra as novas tendências artísticas do século XX, que resultará no desligamento do autor do artigo
dos principais participantes da Semana de Arte Moderna de 1922.

No ano de 1925, funda a Companhia Editora Nacional e começa a escrever sua vasta obra de literatura infantil. No governo de Washington
Luís, em 1927, é nomeado adido comercial do Brasil em Nova York, de onde regressa em 1931, entusiasmado com o progresso da nação
norte-americana. No Brasil, faz campanhas a favor da exploração das riquezas do subsolo: petróleo e minérios. Funda a Companhia de

Petróleo do Brasil, acreditando no nosso desenvolvimento e denunciando o monopólio internacional. Escreve carta ao então presidente Getúlio
Vargas e é preso e condenado pelo Tribunal de Segurança Nacional a seis meses de prisão. Cumpre apenas 90 dias graças à intervenção de
amigos, no ano de 1941.

Em 1946, muda-se para Buenos Aires e mantém traduções de seus livros para o espanhol. Retorna ao Brasil e aproxima-se das idéias do Partido
Comunista Brasileiro.

Controvertido, ativo e participante, Lobato defende a modernização do Brasil nos moldes capitalistas. Faz uma crítica fecunda ao Brasil rural e pouco
desenvolvido, como no Jeca Tatu (= estereótipo do caboclo abandonado pelas autoridades governamentais) do livro Urupês. Curioso é que, na
quarta edição de Urupês, o autor, no prefácio, pede desculpas ao homem do interior, enfatizando suas doenças e dificuldades.

"Monteiro Lobato descobriu o homem do interior do Brasil. Descobriu nova dimensão da literatura brasileira, nacionalizando-a. Daí seu êxito enorme,
revelado pelo número de edições e, igualmente, pelo tom da crítica. Lobato foi endeusado. Mas nunca aderiu ao Modernismo, do qual foi, a muitos
respeitos precursor, apesar de hostilizá-los. Provocou, por isso, reações que, apontando os recursos lingüísticos do escritor, lhe negam, todavia,
a significação literária da obra."

Falece em 1948, vítima de um espasmo vascular.

                                                                  (Carpeaux, Otto Maria. Pequena Bibliografia Crítica da Literatura Brasileira. Rio de Janeiro, MEC, 1951)

Características

Monteiro Lobato, ao lado de uma produção literária infantil até então inexistente no Brasil, destacou-se como um dos maiores contistas
da nossa literatura. Apesar de seu estilo de contador de causos”, mostrava um certo purismo na linguagem, por influência dos clássicos
portugueses. Seus contos estão fortemente vinculados ao interior paulista e denotam uma visão crítica da realidade brasileira.
Destacou-se, ainda, por rebelar-se contra as regras de acentuação, numa atitude folclórica, bem como por combater os modernistas a partir
do seu artigo
Paranóia ou Mistificação? sobre a pintora modernista Anita Malfatti.

Critica-se nele a superficialidade com que analisou as personagens e o predomínio de aspectos exteriores, razão pela qual não conseguiu
desenvolver romances, com apenas uma tentativa malsucedida. Seu grande tema foi o
caboclo, na figura de Jeca Tatu”, a quem criou e
criticou sem piedade. Sua visão, no entanto, amadureceria, culpando o governo pela situação em que vivia o caboclo.

Dessa época, legou-nos trabalhos maravilhosos, como o Sítio do Pica-Pau Amarelo, entre outros, em que defende a natureza, sendo um
precursor da ecologia. Seu conhecimento do caboclo brasileiro (falta de instrução, de iniciativa, hábitos errados de lidar com a terra) fez com
que se revoltasse e iniciasse uma verdadeira guerra contra os caipiras de seu Estado, tachando-os de “sarcoptes”, fazedores de desertos,
ignorantes e outros adjetivos depreciativos. Chegou a criar uma pequena “estória” publicitária para um grupo farmacêutico da época, tendo
como protagonista o Jeca Tatu.


Mereceu, em virtude disso, o ódio mortal dos modernistas da primeira fase, que viam nele um antinacionalista, embora isso não seja verdade.
Era um nacionalista a seu modo. Mais tarde, inclusive, iria mudar sua opinião tão radical, colocando o caboclo como vítima de uma conjuntura nacional.

Obras
Contos regionalistas
Urupês
Cidades Mortas
Negrinha

Romance
O Choque das Raças ou o Presidente Negro

Literatura infantil
O Marquês de Rabicó
O Sítio do Pica-Pau Amarelo

AUGUSTO DOS ANJOS (1884 - 1914)

Nasceu no interior da Paraíba, filho de conhecido e cultíssimo advogado, cuja excelente biblioteca abasteceu o futuro poeta
com a leitura de Darwin, Spencer, Lamarck e outros teóricos evolucionistas europeus. A exemplo do pai foi aluno brilhante e
bacharelou-se com distinção na faculdade de Direito do Recife. Depois de formado passou a lecionar na capital da Paraíba.
Casou-se e, em seguida, mudou-se para o Rio de Janeiro onde permaneceria por quatro anos e acabaria tendo dois filhos.
Atacado pela tuberculose, vai atrás dos bons ares de Minas Gerais, fixando residência em Leopoldina. Lá morreria com tão
somente trinta anos e um único livro escrito e publicado.

Augusto dos Anjos é um caso à parte na poesia brasileira. Autor de grande sucesso popular, ainda é ignorado por parte
da crítica, que o julga mórbido e vulgar. Alguns estudiosos que se debruçam sobre essa obra única e absolutamente
original perdem o tempo discutindo se a mesma é parnasiana ou simbolista. O domínio técnico e o gosto pelo
soneto comprovariam o primeiro rótulo. A fascinação pela morte, a angústia cósmica e o uso de ousadas metáforas
indicariam a tendência simbolista.
Esse debate torna-se obsoleto em face de estudos mais recentes, como o de Ferreira Gullar, que aponta para a
modernidade dos versos de Eu.

OBRA: Eu (1912)

Outros autores

— Coelho Neto (MA) (mais de 100 romances):
A Capital Federal; Turbilhão; Rei Negro; Fogo-Fátuo

— Domingos Olímpio (NE)
Luzia-Homem

— Manuel de Oliveira Paiva (NE)
D. Guidinha do Poço

— Humberto de Campos
Memórias

— Afrânio Peixoto (interior baiano)
Maria Bonita; Fruta do Mato; Bugrinha

— Afonso Arinos (MG)
Pelo Sertão

— Valdomiro Silveira (SP)
Os Caboclos; Nas Serras e nas Furnas; Mixuangos; Leréias

— Simões Lopes Neto (RS)
Cancioneiro Guasca; Contos Gauchescos; Casos do Romualdo

MODERNISMO