PÁGINA INICIAL DICIONÁRIO          LITERATURA                 QUEM SOMOS              FALE CONOSCO                    100 ERROS               SIMULADOS


                                              
Oswald de Andrade
 
(1890 - 1954)

É considerado o mais irreverente, combativo e polêmico autor da primeira fase modernista. Foi o idealizador dos principais manifestos modernistas.
Sua obra é muito rica e apresenta claramente o caráter inovador do Modernismo. Seus textos são marcados pela liberdade lingüística, pelo
nacionalismo e pelo caráter demolidor. Oswald é considerado o criador do poema pílula, do poema curto, direto, mas que nem por isso era menos rico.
Veja dois poemas que ilustram bem as características desse escritor:

               

Oswald de Andrade também estava preocupado com a proximidade da poesia com o falar brasileiro, seus poemas são curtos, com versos livres trazendo
quase sempre um caráter humorístico, bem diferente dos poemas parnasianos. Oswald também se dedicou à prosa:

Oswald de Andrade também estava preocupado com a proximidade da poesia com o falar brasileiro, seus poemas são curtos, com versos livres trazendo
quase sempre um caráter humorístico, bem diferente dos poemas parnasianos.

Oswald também se dedicou à prosa:

Memórias Sentimentais de João Miramar

Nesse livro, Oswald rompe com os esquemas tradicionais da narrativa. Os capítulos são curtíssimos, apresentando-se como pequenos da pintura cubista,
que representava ao mesmo tempo, as várias faces de um objeto ou situação, o que impossibilita uma leitura linear.

                                                MANUEL BANDEIRA (1886 -1968)

Reconhecido como o poeta do humilde sublime, Manuel Bandeira executa em seus versos uma das mais caras propostas do Modernismo: a poesia do cotidiano,
da simplicidade. Tratando o tempo presente de modo a redimensioná-lo pela memória, reverencia a vida, a humildade, as coisas pequenas significativas, o
sentimento banal, construindo o que ficou conhecido como "banal sublime". A força de sua poesia está na surpreendente simplicidade da linguagem, coloquial e densa,
despojada e plurissignificativa ao mesmo tempo. Segundo o próprio poeta, "o grande mistério está na simplicidade", ou seja, em exprimir com grande
singeleza conteúdos humanos profundos.

Sua obra é uma das mais importantes da literatura moderna do país. Escreve poesia, prosa e faz crítica literária. Destaca-se na produção poética, em que trata
do amor, da morte e de episódios singelos do cotidiano. Alia humor, amargura e ironia a uma grande sensibilidade. Seu primeiro livro é A Cinza das Horas
(1917), de inspiração simbolista. Com Carnaval (1919), firma-se como pioneiro do modernismo. Em 1922, participa da Semana de Arte Moderna e publica poemas
em revistas de vanguarda. Libertinagem (1930) reúne poesias feitas a partir de 1922. Relata sua trajetória em Itinerário de Pasárgada (1954), no qual se revela como
memorialista. Faleceu no Rio de Janeiro em 1968.


Obras principais:

Cinza das horas (1917); Carnaval (1919); Ritmo dissoluto (1924); Libertinagem (1930); Estrela da manhã (1936); Lira dos cinquent'anos (1948); Estrela da tarde (1963)

A poesia de Manuel Bandeira - eliminados os resíduos simbolistas e parnasianos de Cinza das horas e Carnaval - enquadrando-se na vertente mais clássica do espírito
modernista, aquela em que se processa uma fusão entre a confissão pessoal e a vida cotidiana. Em Bandeira predomina com alguma insistência o lirismo do EU, mas o
cotidiano jamais desaparece dos textos, numa síntese feliz entre subjetividade e objetividade. Isto se dá porque uma relação dialética estabelece-se entre ambos. Assim:


Poesia = cotidiano mais o eu-lírico  estarão presentes em sua poesia:

A temática da morte (reflexo da doença);


A simplicidade expressiva;


                                                          Indignação moral, que se revela, por exemplo, no poema
 

A partir do livro Libertinagem firma-se como modernista. Seus poemas refletem uma linguagem simples, identificada com o falar cotidiano, assim
como seus temas. Tudo podia ser motivo de poesia, a própria doença, frases corriqueiras e até mesmo uma notícia retirada de jornal.
Veja um fragmento de
Poética, texto que sintetiza sua proposta literária:

Poética

Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente protocolo e
[manifestações de apreço ao sr. diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o cunho
[vernáculo de um vocábulo
Abaixo aos puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
(...)
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados

O lirismo difícil e pungente dos bêbados
O lirismo dos clowns de Shakespeare
_ Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.

                                                                                                          Manuel Bandeira

Veja no poema Pneumotórax, a ironia, outra característica de Bandeira:

Pneumotórax

Febre, hemoptise, dispinéia e suores noturnos.
A vida interia que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.
Mandou chamar o médico:
_ Diga trinta e três.
_ Trinta e três ... trinta e três ... trinta e três ...
_ Respire.
.....................................................................................
_ O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito
infiltrado.
_ Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
_ Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.


                                                  
CASSIANO RICARDO
(1895 - 1973)

Não participou da “Semana de Arte Moderna”, tanto que até 1924/25 escrevia ainda sob moldes simbolistas ou parnasianos. No entanto, na fase
mais aguda de polêmica entre várias facções modernas, vai se filiar ao movimento “Verde Amarelo”, unindo-se a Plínio Salgado.
Sua obra mais importante é Martim Cererê, em que o poeta recria a conquista do Brasil, a penetração bandeirante, até a modernização de São
Paulo, sob a influência do café e do imigrante.

LADAINHA
“Por se tratar de uma ilha deram-lhe o nome
de ilha da Vera Cruz.
Ilha cheia de graça
Ilha cheia de pássaros
Ilha cheia de luz.
Ilha verde onde havia
mulheres morenas e nuas
anhangás a sonhar com histórias de luas
e cantos bárbaros de pajés em poracés
[batendo os pés.
Depois mudaram-lhe o nome
pra terra da Santa Cruz.
Terra cheia de graça
Terra cheia de pássaros
Terra cheia de luz
A grande Terra onde havia guerreiros de tanga e
[onças ruivas deitadas à
sombra das árvores mosqueadas de sol.
Mas como houvesse, em abundância,
certa madeira cor de sangue cor de brasa
e como o fogo da manhã selvagem
fosse um brasido no carvão noturno da paisagem,
e como a Terra fosse de árvores vermelhas
e se houvesse mostrado assaz gentil,
deram-lhe o nome de Brasil.
Brasil cheio de graça
Brasil cheio de pássaros
Brasil cheio de luz.”


                                              MENOTTI DEL PICCHIA (1892 - 1988)


Foi um dos maiores batalhadores para a implantação do Modernismo. Juca Mulato é o livro mais conhecido do autor. Nele enfoca
acontecimentos pitorescos da vida amorosa e sensual do brasileiro. Versos de comunicação fácil contam o drama de um caboclo
do mato que, apaixonado pela filha da patroa, busca curar-se com o feiticeiro Roque. Este lhe aconselha o esquecimento e a busca
do amor numa alma irmã à sua:

“Consolou-se depois: ‘O Senhor jamais erra...
Via! Esquece a emoção que na alma tumultua.
Juca Mulato! volta outra vez para a terra,
procura o teu amor, numa alma irmã da tua.
Esquece calmo e forte. O destino que impera,
um recíproco amor às almas todas deu.
Em vez de desejar o olhar que te exaspera,
procura esse outro olhar, que te espreita e te espera,
que há por certo um olhar que espera pelo teu...’
Poema que fixa o gênio triste do brasileiro.
E, na noite estival, arrepiadas, as plantas tinham
na coma negra umas roucas gargantas bradando,
sob o luar opalino, de chofre:
Sofre, Juca Mulato, é tua sina, sofre...
Fechar ao mal de amor nossa alma adormecida
É dormir sem sonhar, é viver sem ter vida...
Ter a um sonho de amor, o coração sujeito
É o mesmo que cravar uma faca no peito.
Esta vida é um punhal com dois gumes fatais
não amar, é sofrer; amar, é sofrer demais.”


Obras

Poesia:

Poemas do vício e da virtude (1913)
Moisés (1917);
Juca Mulato (1917)
Máscaras (1919)
A angústia de D. João (1922)
Chuva de pedra (1925)
O amor de Dulcineia (1926)
República dos Estados Unidos do Brasil (1928)
Jesus, tragédia sacra (1958)
Poesias, seleção (1958)
O Deus sem rosto, introdução de
Cassiano Ricardo
(1968)

Literatura Infanto-juvenil:

No país das formigas
Viagens de Pé-de-Moleque e João Peralta
Novas aventuras de Pé-de-Moleque e João Peralta

Obras Completas:

A Noite, 10 vols.
Obras de Menotti del Picchia, Livraria Martins Editora, 14 vols.
Entardecer, antologia de prosa e verso (1978).

Romance:

lama e argila (1920; após a 4a ed.,
intitulou-se A tragédia de Zilda)


Laís
 (1921)
Dente de Ouro (1923)
O crime daquela noite (1924)
A república 3000 (1930; posteriormente
intitulado A filha do Inca, 1949)


A tormenta
 (1932)
O árbitro (1958)
Kalum, o mistério do sertão (1936)
Kummunká (1938)
Salomé (1940)

Teatro:

Suprema conquista (1921)
Jesus; Máscaras
A fronteira
.

 

Conto,Crônica e Novela:

O pão de Moloch (1921)
A mulher que pecou (1922)
O nariz de Cleópatra (1922)
Toda nua (s.d.)
A outra perna do Saci (1926)
O despertar de São Paulo

Episódios dos séculos XVI e
XX na Terra Bandeirante
)

Ensaio e Monografia:

A crise da democracia
A crise brasileira: soluções nacionais
 (1935)
A revolução paulista (1932)
Pelo amor do Brasil, discursos parlamentares
O governo Júlio Prestes e o ensino primário
O Curupira e o Carão
O momento literário brasileiro
Sob o signo de Polymnia, discursos
A longa viagem, memórias
, 2 vols. (1970-1972)


                                                             RAUL BOPP (1898 - 1984)


Inicialmente, aderiu ao Verde-amarelismo de Menotti, Cassiano e Plínio Salgado, seguindo, depois, ao grupo Antropofágico de Oswald de
Andrade. Cobra Norato é sua obra de destaque. É uma rapsódia amazônica que narra as aventuras de um jovem na selva amazônica que,
após ter estrangulado a cobra no rato, entrou no corpo do monstruoso animal. Cruzam a história descrições mitológicas de um mundo
bárbaro sob violentas transformações. Poema com estrutura épico dramática que envolve ritmos africanos.

Poesia

Cobra Norato (1931)

Urucungo (1932)

Poesias (1947)

Mironga e Outros Poemas (1978)

Prosa

América

Notas de um Caderno sobre o Itamaraty

Movimentos Modernistas no Brasil: 1922/1928

Memórias de um Embaixador, Bopp Passado a Limpo por Ele Mesmo

Vida e Morte da Antropofagia

Longitudes

 

NEGRO

“Pesa em teu sangue a voz de ignoradas origens.
As florestas guardaram na sombra o segredo da
                                                       [tua história.
Trazes em baixo-relevo inscrições de

                             [chicote no lombo.

Um dia atiraram-te no bojo de um navio negreiro.
Durante noites longas e longas
vieste ouvindo o rugido do mar,
como um soluço no porão soturno.

O mar era um irmão da tua raça.

Um dia de madrugada
uma nesga de terra e um porto.
Armazéns com depósitos de escravos
e o gemido dos teus irmãos amarrados com
                                        [coleiras de ferro.

Principiou aí a tua história.
O resto, o que ficou pra trás...
... o Congo, as florestas, o mar,
deixam queixa na corda no urucungo

 

MODERNISMO  2ª FASE