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REALISMO
               NATURALISMO


CONTEXTO HISTÓRICO

A partir da segunda metade do século XIX, a concepção espiritualista de mundo que caracterizava o período romântico
vai sendo substituída por uma
visão mais científica e materialista, decorrente da importância dada à ciência, vista como único
instrumento seguro para explicar a realidade. Para compreender a nova estética cultural, analisemos rapidamente o contexto histórico-cultural.

Sociedade:


Na Europa, a aristocracia feudal e a Igreja
deixaram de desempenhar um papel orientador na vida política. A classe média, cuja
maneira de viver
nada tem em comum com a aristocracia tradicional, passa a ocupar o primeiro plano no cenário histórico.
Mais tarde, classe média e operariado, cujos objetivos se confundiam, começam a separar-se.
Dessa separação decorre a consciência do proletariado e seu esforço no sentido de se organizar. São essas condições que
propiciam o
Manifesto Comunista de 1848, em que Marx e Engels analisam a situação do proletariado e apontam
soluções para os problemas detectados.


Economia:


O racionalismo econômico do período leva a
uma industrialização cada vez mais intensa, com a consequente vitória do
capitalismo. “O dinheiro é a
grande força que domina toda a vida pública e privada, toda a força e todos os direitos passam
a se 
exprimir através dele. Tudo, para ser compreendido, tem que se reduzir a um denominador comum: o dinheiro”. (Arnold Hauser)

Ciência:
O enorme progresso científico da época gerou a teoria de que todos os fenômenos aparentemente isolados, na verdade,
pertenciam a uma única
realidade material. É notável o desenvolvimento das ciências biológicas. A título de exemplo, citamos
algumas descobertas do período: a utilização do éter na anestesia, a assepsia, a teoria microbiana das doenças, a descoberta
dos micro-organismos
responsáveis pelas sífilis, malária e tuberculose, a descrição dos hormônios e vitaminas.

Às anteriores, associam-se as buscas no
campo da calorimetria, ótica, termodinâmica, telefonia, astronomia, eletricidade,
eletromagnetismo, etc.


Identificam-se a pesquisa e o uso de novas
fontes de energia, como o carvão, o petróleo e a eletricidade, o que propicia o
desenvolvimento
industrial, em especial, na metalurgia e nos ramos têxteis.

Paralelamente, acentua-se o interesse pela
biologia e pela genética, que até os anos anteriores haviam permanecido
limitadas pelas concepções dos antigos.


Assim, João Batista Lamark (1744-1829)
formula as leis da evolução natural, assegurando que a formação ou desaparecimento
de órgãos, nos
seres vivos, são condicionados pelo uso, e que as alterações ocorridas se integram ao patrimônio da espécie.

Fundamental é a referência ao Darwinismo,
princípio estabelecido por Darwin, de que há uma comunhão de origem entre todos
os seres vivos. É a
teoria da evolução natural das espécies, que expõe uma concepção biológica da vida. Darwin publica,
em 1859, A Origem das Espécies provocando uma
verdadeira revolução no campo das ciências.

Filosofia:

• Positivismo

No campo da filosofia, o evento que se destaca é a publicação do Curso de Filosofia Positiva, ocorrido entre 1830 e 1842, e a do
Sistema
de Política Positiva, entre 1851 e 1854, ambos da autoria de Augusto Comte (1798 - 1857). Com essas obras, instaura-se
um novo pensamento filosófico,
que não destoa da mentalidade geral da época no que diz respeito à importância da natureza, da
objetividade e do culto ao real. Segundo Comte, a
humanidade está entrando, com o Positivismo, em um terceiro estágio de sua
evolução - os dois
primeiros haviam sido o teológico e o metafísico.

Agora, os fatos é que determinam o conhecimento,
o abstrato perdeu seu valor para o concreto; a observação e a experiência
tornam-se regras
básicas para o pensamento e para a atividade científica.

• Determinismo

Doutrina de Taine, que explica a obra de arte como produto de leis inflexíveis: raça, meio e momento. Fundamentado nos
princípios positivistas,
Taine leva, em 1864, as novas concepções para o domínio artístico, criando o determinismo literário,
no
prefácio de sua História da Literatura Inglesa.

Procura provar que a “personalidade” do
homem é condicionada por três aspectos:

a) Hereditariedade - a criança recebe caracteres do pai
e da mãe;

b) Meio ambiente - a criança vai
aprendendo a se comportar em contato com outras pessoas;

c) Momento Histórico - em cada época da
história da humanidade a criança desenvolve-se e forma sua personalidade segundo as influências de então.

Quando o escritor realista se orientava por
esse cientificismo, elaborava obras classificadas como naturalistas (um realismo mais científico).

Resta-nos, ainda, citar a forte atuação que as
ideias filosóficas de Arthur Schopenhauer (1788 - 1860) exercem sobre o pensamento
europeu do
século XIX. Através de três obras: Mundo como vontade e representação (1819), A autonomia da vontade (1839) e
O Fundamento Moral (1840), o
filósofo alemão apresenta o homem condicionado a determinismos morais. Segundo suas ideias,
“o
mundo é a exteriorização de uma força cega, onde
viver significa sofrer. O homem é determinado pela dor e pelo sofrimento, e
a conquista da alegria
também advém de um esforço doloroso que logo destrói as ânsias e desejos humanos”.

Todas essas doutrinas contribuem para dar ao
homem deste momento uma concepção materialista da vida. O subjetivismo cede
lugar ao objetivismo; o
interesse pelo passado, característico do Romantismo, é substituído pelo presente e pela noção de desenvolvimento e progresso.

Sociologia:

No domínio da sociologia, aparecem as teorias de Spencer, explicando a luta pela existência como uma crescente divergência
entre as classes
sociais. Em 1862, inicia seus trabalhos, formulando O Evolucionismo, levando os historiadores a interpretarem
a história como resultante de
movimentos sociais.

A ARTE

A arte vai revelar todas essas modificações, suplantando o idealismo do período romântico, expressando a concepção predominantemente
materialista da vida, isenta de idealização e sentimentalismo. O povo torna-se tema da pintura, fato que representa uma tomada de posição
política
por parte dos pintores que seguem a nova estética.

Para eles, verdade social e verdade artística se
identificam, tornando-se a arte um meio de denúncia da ordem social vigente, um protesto
contra a classe
dominante.

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