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                                             MODERNISMO 2ª FASE (1930 - 1945)

Para estudar esta fase é interessante conhecer a caracterização feita por Afrânio Coutinho, que consegue sintetizar em poucas palavras
os elementos estéticos, bem como citar os autores mais importantes:

“A segunda fase colheu os resultados da precedente, substituindo o caráter destruidor pela intenção construtiva, “pela recomposição de
valores e configuração da nova ordem estética” (Cassiano Ricardo).

Cessada a batalha, as águas assentaram, e puderam os membros da nova geração tirar os efeitos do desmonte e aplicar as fórmulas
estéticas obtidas com a revolução em tentativas de novas sínteses. A poesia prossegue a tarefa de purificação de meios e formas
iniciada antes, ampliando a temática na direção da inquietação filosófica e religiosa, com Vinicius de Moraes, Jorge de Lima,
Augusto Frederico Schmidt, Murilo Mendes, Carlos Drummond de Andrade, ao tempo em que a prosa alargava a sua área de interesse

para incluir preocupações novas de ordem política, social e econômica, humana e espiritual. À piada sucedeu a gravidade de espírito, a
seriedade da alma, propósitos e meios. Uma geração grave, preocupada com o destino do homem e com as dores do mundo, pelos
quais se considerava responsável, deu à época uma atividade excepcional.


No entanto, foi principalmente na prosa que ela mais se elevou, desde quando, em 1928, com
A Bagaceira de José Américo de Almeida
e
Macunaíma de Mário de Andrade, se inicia a “década do romance” modernista, início ruidoso de uma era de extraordinário esplendor,
em que se distinguiu uma plêiade de artistas dotados de poderosa capacidade criadora. De um lado, a linha do estudo e do ensaio, com
Gilberto Freyre, Afonso Arinos de Melo Franco, Otávio de Faria, Almir de Andrade, Euríalo Canabrava. Do outro lado, o grupo do renascimento
do romance, na direção do neonaturalismo regionalista e social, a terra sobrelevando a tudo, com José Lins do Rêgo, Graciliano Ramos,
Jorge Amado, Raquel de Queirós, Amando Fontes, ou na linha da investigação psicológica, o mundo interior monopolizando as

preocupações, com Cornélio Pena, José Geraldo Vieira, Otávio de Faria, Lúcio Cardoso, Ciro dos Anjos, João Alphonsus, Eduardo Frieiro,
Érico Veríssimo”. (in “A Literatura no Brasil”, vol. VI)

CONTEXTO HISTÓRICO

Vários fatos políticos importantes marcaram esse período. No âmbito interno, começou a década de 30 com a deposição de Washington Luís
e a ditadura de Getúlio Vargas. Viriam, a seguir, a Revolução Constitucionalista em São Paulo, em 1932, e a Intentona Comunista de Prestes,
em 1935. No cenário mundial, eclodiu a Segunda Guerra, com a participação do Brasil.


O panorama político-social era de preocupação com o homem, reprimido internamente e que se matava na carnificina das guerras.
A centralização do poder refletia-se em “esquecimento” do interior do país, onde o povo abandonado lutava pela sobrevivência.
A arte do período retrata a revolta contra esse estado de coisas.
Na pintura, Di Cavalcanti e Portinari, artistas envolvidos com a temática nacional,
adquiriram maior projeção.

Abandono do tom iconoclasta e equilíbrio da forma e linguagem

A linguagem atingiu o equilíbrio, abandonando as figuras ousadas e o tom inovador e reformista, preferindo, tanto na poesia quanto na prosa, um
estilo mais clássico, sóbrio, porém real.


Preocupação com o homem

A Segunda Guerra Mundial, a ditadura no país, as perseguições políticas, entre tantos problemas, acentuaram a preocupação com o ser humano,
tanto no plano social como individual.

Muitos autores do Primeiro Tempo continuaram a escrever e se adaptaram às novas tendências, como Manuel Bandeira. Outros, incipientes na
Primeira Fase, consolidaram-se, a exemplo de Cecília Meireles e Carlos Drummond de Andrade.

Na poesia, sobressai o misticismo ou a preocupação social, com o “Sentimento do Mundo”, de Carlos Drummond de Andrade.
No romance, surgiu o neo-realismo, denunciando de maneira contundente a miséria do nordestino, principalmente.

MANIFESTAÇÕES ARTÍSTICAS

Na pintura, os membros da Semana

agregavam-se em torno de uma sociedade que tinha por objetivo manter e divulgar as conquistas modernistas. Em 1933, esse grupo levou a efeito sua
Primeira Exposição de Arte Moderna.

O grupo Santa Helena, de São Paulo, começa a retratar a paisagem urbana da cidade, mostrando o operariado do subúrbio.

Na escultura, destaca-se a obra de Bruno Giorgi.

A nomeação de Lúcio Costa para diretor da Escola Nacional de Belas-Artes marca a renovação do ensino da arquitetura. Oscar Niemeyer forma-se
em 1934.

A música registra a procura de uma linguagem nacional, principalmente na obra de Camargo Guarnieri, Guerra Peixe e Radamés Gnatalli.

Em 1930, Heitor Villa-Lobos começa a compor as Bachianas Brasileiras.

A primeira encenação do teatro moderno no Brasil ocorre em 1933, em São Paulo. A peça de Flávio de Carvalho, denominada O Bailado do Deus
Morto, sem enredo tradicional, apresenta as novidades surrealistas e expressionistas no palco.
Mas a verdadeira revolução cênica viria em 1941, com a encenação de Vestido de Noiva, de Nélson Rodrigues.

Ainda, em 1930, o cinema apresenta o lendário filme Limite, de Mário Peixoto, e em 1933 o não menos famoso Ganga Bruta, de Humberto
Mauro. O primeiro, de teor surrealista; o outro, uma abordagem do meio social em que ocorre a ação.

Literatura

A primeira fase do Modernismo, iconoclasta e experimental, preparou o caminho para este segundo momento. A nova maneira de expressão, o
novo código literário, ganhava equilíbrio, de maneira que, ao começar a nova década, já era aceito pelo público, ficando definitivamente incorporado
à arte brasileira.

Mário de Andrade, ao fazer o balanço da Semana, já afirmara que a herança do movimento de 22 tinha sido “a conquista do direito permanente
à pesquisa estética; a atualização da inteligência artística brasileira; e a estabilização de uma consciência criadora nacional”.


PROSA

Passada a fase de tentativas feitas no sentido de encontrar um romance tecnicamente brasileiro, a geração de 30 encontrou, no regionalismo, a melhor
fórmula para esse romance. É de 30 - 45, etapa áurea da ficção modernista, que lhe emprestou uma feição bem definida, colocando-a entre as mais altas
expressões da literatura das Américas. Foi especialmente a prosa regionalista que conquistou o público, não somente nacional como também estrangeiro.

A novidade maior desta fase esteve a cargo da ficção. O aparecimento de grande número de romances é o traço mais característico desse período.
Podemos distinguir três traços fundamentais na prosa da segunda fase modernista:


Prosa Regionalista

Assim como tinha acontecido nas demais artes, também a literatura busca recuperar as origens da realidade brasileira. Tem início o desvendamento da nossa
sociedade, mas agora com um novo enfoque: o regionalismo. Muitas das conquistas modernistas da primeira fase ajudaram na tarefa dos ficcionistas deste
segundo período: a aproximação da linguagem literária à fala brasileira e a incorporação dos neologismos e regionalismos são duas delas.

A primeira novidade neste sentido é o romance A bagaceira (1928), de José Américo de Almeida. Seguem-se O quinze, de Rachel de Queiroz (1930); O país
do carnaval, de Jorge Amado (1931); Menino de Engenho, de José Lins do Rego (1932); Caetés, de Graciliano Ramos (1933), entre outros.

                    

Mergulhando nas raízes do passado, enfocando a seca, o sertão, o cangaço, o ciclo da cana-de-açúcar, do cacau, do café, a prosa regionalista forneceu a safra
mais importante do romance modernista. Por resgatar valores já consagrados no Realismo, é tida como
Neorrealista.

Alguns autores chegam ao Neonaturalismo, ao usar a ficção como veículo de propagação de ideias políticas, transformando o romance em instrumento
de ação revolucionária (cite-se parte da obra de Jorge Amado).

Prosa Urbana

Documentário de cunho realista, preocupado sobretudo com a realidade simples, a observação de problemas e costumes da vida urbana da classe
média; enfoca a vida nas cidades, seus costumes e tipos.

Nessa linha, escreveram: Érico Veríssimo, Amando Fontes, Dyonélio Machado, Alcântara Machado, Orígenes Lessa, entre outros.

Prosa Intimista

A primeira fase do Modernismo tinha introduzido na moderna cultura brasileira elementos da teoria psicanalítica de Freud. Utilizando sugestões dessa
maneira de abordar a criatura humana, com seus conflitos e angústias, aparecem os escritores que produziram a chamada prosa de sondagem psicológica.

Nessa linha, destacam-se: Lúcio Cardoso, Dyonélio Machado, Otávio de Faria.


                                                                                                                                    
DRUMMOND DE ANDRADE