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SIMBOLISMO 
(final do século XIX)

O Simbolismo, movimento literário que antecedeu a Primeira Guerra Mundial (1913-1918), surge como reação às correntes
materialistas e cientificistas da sociedade industrial do início do século XX. A
palavra simbolismo é originária do grego, e significa
colocar junto
.
Os simbolistas, negando os parnasianos, aboliram o culto à forma de suas composições. Resgatando um ideal romântico,
os poetas desse período mergulharam no inconsciente, na introspecção do eu; entretanto o fizeram de maneira bem mais profunda que
Garret, Camilo Castelo Branco e outros românticos.

CONTEXTO HISTÓRICO

É inegável o fato de as descobertas científicas do século XIX terem representado um marco divisor da história do mundo ocidental.
Houve profundas transformações nas ciências, na sociedade, na filosofia e nas artes. A euforia, porém, dos novos avanços trouxe,
no seu bojo, exageros, julgando-se o homem, por exemplo, capaz de tudo explicar sob o prisma de uma ciência racional e lógica.

Por outro lado, a segunda revolução industrial vinha provar que o capitalismo não oferecia o paraíso, mas antes um purgatório de
frustrações que favorecia alguns em detrimento da maioria.

Os ideais positivistas eram muitas vezes impostos com crueldade e as guerras, a opressão sobre povos menos desenvolvidos para
a obtenção de matéria-prima barata e farta (África, Índia, América do Sul), ou ainda, as lutas internas espalhavam-se.


As grandes teorias, tais como o evolucionismo, o determinismo e o positivismo, começaram a sentir oposições declaradas de
filósofos, que não encontravam nelas explicações para o comportamento e ansiedade humanos. A fotografia tornou sem
sentido uma pintura realista, daí surgindo o
impressionismo e o expressionismo; a impassibilidade pregada pelos parnasianos
foi refutada pelos jovens poetas, como
Baudelaire e Rimbaud, que tentavam penetrar a obscuridade da “alma” humana. Uma nova
onda de misticismo varreu a Europa e espalhou-se pelo mundo, ressuscitando antigas religiões, sociedades secretas e entidades
logosóficas. Recuperou-se o valor do símbolo, misterioso, sugestivo, cabalístico e assustador. Não é à-toa que os poetas, ora se
apegavam aos ritos e à mitologia católica, ora ao ocultismo, do qual Dario Velozo, por exemplo, formou-se mestre em Paris.


Por outro lado, seria de se esperar uma reação imediata por parte das escolas reinantes — Parnasianismo, Realismo e Naturalismo.
No campo político, marcaram-se os novos artistas pela força e opressão; já no campo artístico, pelo deboche e pela
irreverência. Os poetas simbolistas eram denominados
decadentes, ou pior, nefelibatas, ou seja: “aqueles que andam nas nuvens”...
No Brasil, o espírito positivista era muito forte, especialmente nos centros do poder, e os poetas parnasianos gozavam do maior prestígio
junto ao público, quando surgiram os simbolistas.


Por isso, não foram reconhecidos em vida
e, de fato, só no Modernismo seus trabalhos seriam considerados.

Entre as principais características do Simbolismo estão:

Espiritualismo e Misticismo = Para os simbolistas a arte era uma forma de religião. Os textos simbolistas apresentam muitas vezes
uma visão cristã. Era
comum a distinção entre corpo e alma e o desejo de purificação, de sublimação: anulação da matéria para a
libertação da alma. Era também comum a utilização de vocábulos ligados ao místico e ao religioso, como missal, breviário, hinos, salmos,

entre outros.

Sugestão
= Para a arte simbolista mais importante que nomear as coisas era sugeri-las. Segundo os simbolistas os leitores é que deveriam
adivinhar o enigma de cada poema.


Imprecisão
= Atrelada à característica anterior, a realidade deveria ser expressa de maneira vaga e imprecisa. O Simbolismo buscava a
essência do ser humano, os estados da alma, o inconsciente.


Sinestesias
= Na poesia simbolista era comum a presença de sinestesias. A sinestesia é uma figura de linguagem que consiste na fusão de várias sensações,
sem que necessariamente haja lógica:

“Nasce a manhã, a
luz tem cheiro ... Ei-la que assoma
Pelo ar sutil ...
Tem cheiro a luz, a manhã nasce ...
Oh
sonora audição colorida do aroma!”
                                                                           Alphonsus de Guimaraens

Musicalidade
= A poesia deveria se aproximar da música. Para conseguirem essa aproximação os simbolistas usaram em grande escala as figuras de linguagem
associadas à sonoridade, como as rima, o eco, a aliteração, entre outras. Daí a expressão simbolista: “A música antes de qualquer coisa”.

Veja um exemplo de aliteração. Lembre-se de que a aliteração é a repetição de sons consonantais:

“E as cantinelas de serenos sons amenos

fogem fluidas fluindo à fina flor dos fenos”.
                                                                          Eugênio de Castro

Maiúsculas alegorizantes
= Correspondem à utilização de letras maiúsculas no meio do texto sem que haja alguma razão gramatical para o seu uso. Elas são
usadas para enfatizar as palavras:

“Indefiníveis músicas supremas,
Harmonias da
Cor e do Perfume ...
Horas do
Ocaso, trêmulas, extremas,
Réquiem do
Sol que a Dor da Luz resume ...”
                                                                                    Cruz e Souza

Arte Poética
Paul Verlaine (tradução de Augusto de Campos)
Antes de tudo, a Música. Preza
Portanto, o Ímpar. Só cabe usar
O que é mais vago e solúvel no ar,
Sem nada em si que pousa ou que pesa.
Pesar palavras será preciso,
Mas com algum desdém pela pinça:
Nada melhor do que a canção cinza
Onde o Indeciso se une ao Preciso.
(...)
Pois a Nuance é que leva a palma,
Nada de Cor; somente a nuance!
Nuance, só, que nos afiance
O sonho ao sonho e a flauta na alma!
(...)
Que teu verso seja a aventura
Esparsa ao árdego ar da manhã
Que enchem de aroma o timo e a hortelã...
E todo o resto é literatura.

 

Nesse poema encontramos várias características simbolistas, entre elas a musicalidade, a presença do sonho e a imprecisão na forma
de expressar a realidade.

Simbolismo no Brasil – Autores
No Brasil, o Simbolismo tem início em 1893, com a publicação de Missal (textos em prosa) e Broquéis (poesias), de Cruz e Souza. Didaticamente,
permaneceu no cenário literário até 1902 quando ocorre a publicação do livro
Os Sertões, de Euclides da Cunha, considerado o texto introdutor do
Pré-Modernismo.


Missal é o nome de um livro que contém orações utilizadas nas missas e broquéis vem de broquel, tipo de um escudo espartano, numa clara
aproximação com o parnasianismo e seu gosto por objetos antigos.

O Simbolismo no Brasil não teve muita aceitação por parte do público leitor. A maior parte dos leitores preferia os textos parnasianos.

Os parnasianos tinham a imprensa como aliada, pois seus poemas vendiam muito mais. É por isso que se costuma dizer que o Brasil não teve um
momento tipicamente simbolista, ele ficou meio à margem da literatura oficial da época. Veja os maiores representantes do Simbolismo brasileiro:


Cruz e Sousa

Cruz e Sousa é considerado não só o maior poeta do Simbolismo brasileiro, mas também um dos maiores representantes do Simbolismo
mundial.

CRUZ E SOUSA