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Figuras de Linguagem

São recursos que consiste em apresentar uma ideia através de palavras ou construções incomuns. A figura resulta sempre
de um desvio das formas comuns de falar e escrever, ou seja, de um desvio da norma.

 Dividiremos as figuras de linguagem em quatro para facilitar nosso estudo.

Figuras de Sintaxe, Figuras de Pensamento, Figuras de Palavras, Figuras de Harmonia

 Antes de entrarmos no assunto, vamos falar um pouco sobre denotação e conotação.

Denotação e conotação

Uma palavra ou signo compreende duas polaridades: o significado (aspecto conceitual, a imagem mental abstrata) e o significante
(aspecto concreto, gráfico, a imagem acústica). Assim, todas as palavras são signos, desde que apresentam essas duas faces.

Quando desconhecemos o significado de uma palavra, a significação não se completa, pois só o que compreendemos é o significante
(o conjunto sonoro ou gráfico). Reunida ao seu significado, a palavra deixa de ser apenas um fenômeno sonoro ou agráfico (significante).

Um mesmo signo pode apresentar significados diversos, conforme o contexto em que os empregamos. O significado de uma palavra não é
somente aquele dado no dicionário; a palavra adquire sentidos diferentes quando inserida em novos contextos. A essa pluralidade de
significados dá-se o nome de polissemia.

Veja o exemplo a palavra corrente:

cadeia de metal, grilhão (a corrente);
a água que corre (água corrente);
fácil, fluente (estilo corrente);
sabido de todos (fato corrente;
decurso de tempo (mês corrente);

circulação

o de ar (corrente de ar);
fluxo de água (corrente de água, corrente marinha);
fluxo de energia elétrica (corrente elétrica);
grupo de indivíduos que representam idéias, tendências, opiniões (corrente literária) etc.

Quando escrevemos, valemo-nos do significado da palavra para expressar nossa ideias. Um vocabulário bem escolhido
transmite mais adequadamente a mensagem que codificamos.
Se queremos ser objetivos no que redigimos, precisamos utilizar uma
linguagem denotativa, portanto, referencial. Essa
linguagem é aquela cujo significado real encontramos no dicionário. É a palavra empregada na sua significação usual,
literal, referindo-se a uma realidade concreta ou imaginária.

Ao evocarmos ideias através do filtro da nossa emoção, da nossa subjetividade, temos a
conotação,
que corresponde a uma transferência do significado usual para um sentido figurado.

1. "A corrente marítima não manteve o barco na rota.

2. "A gente vai contra a corrente

Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir."
              (Chico Buarque)

No exemplo 1 as palavras corrente e barco foram usados denotativamente. Já no exemplo 2, podemos observar: corrente é
metáfora de resistência e barco significa mudança de rumo, portanto usamos a
conotação.

As figuras de linguagem

O uso de figuras de linguagem é um dos recursos empregados para valorizar o texto, tornando a linguagem mais expressiva.
É um recurso lingüístico para expressar de formas diferentes experiências comuns, conferindo originalidade, emotividade ou
poeticidade ao discurso.
A utilização de figuras revela muito da sensibilidade de quem as produz, traduzindo particularidades estilísticas do autor.
Quando a palavra é empregada em sentido figurado, não denotativo, ela passa a pertencer a outro campo de significação,
mais amplo e criativo, ou seja, no sentido conotativo.

Figuras de sintaxe

As figuras de sintaxe ou de construção dizem respeito a desvios em relação à concordância entre os termos da oração, sua ordem,
possíveis repetições ou omissões.

As figuras de sintaxe podem ser construídas por:

1. omissão: assíndeto, elipse e zeugma;
2. repetição: anáfora, pleonasmo e polissíndeto;
3. inversão: anástrofe, hipérbato, sínquise e hipálage;
4. ruptura: anacoluto;
5, concordância ideológica: silepse.

Assíndeto
Ocorre assíndeto quando orações ou palavras que deveriam vir ligadas por conjunções coordenativas aparecem
justapostas ou separadas por vírgulas

"Fere, mata, derriba denodado..." (Camões)

"Clara passeava no jardim com as crianças.
O céu era verde sobre o gramado,
a água era dourada sob as pontes,
outros elementos eram azuis, róseos, alaranjados,
o guarda-civil sorria, passavam bicicletas,
a menina pisou a relva para pegar um pássaro,
o mundo inteiro, a Alemanha, a China, tudo era
tranqüilo ao redor de Clara."
                                                 (Carlos Drummond de Andrade)

"Não nos movemos, as mãos é que se estenderam pouco a pouco, todas quatro, pegando-se, apartando-se, fundindo-se."

(Machado de Assis)

Elipse
Ocorre elipse quando omitimos um termo ou oração que facilmente podemos identificar ou subentender no contexto. Pode ocorrer
na supressão de pronomes, conjunções, preposições ou verbos.

Veio sem pinturas, em vestido leve, sandálias coloridas." (Rubem Braga)

Elipse do pronome ela (Ela veio) e da preposição de (de sandálias).

"Sentei-me na cama, uma dor aguda no peito, o coração desordenado." (Antônio Olavo Pereira)

Elipse da preposição com (com uma dor...) e do conectivo e (e o coração).

"No mar, tanta tormenta e tanto dano."

(Camões)

Elipse do verbo haver (no mar há tanta ...)

Zeugma
Ocorre zeugma quando um termo já expresso na frase é suprimido, ficando subentendida sua repetição.

"Foi saqueada a vila, e assassinados os partidários dos Filipes."

(Camilo Castelo Branco)

Zeugma do verbo: e foram assassinados..."

"Vieira vivia para fora, para a cidade, para a corte, para o mundo; Bernardes para a cela, para si, para o seu coração."

(Antônio Feliciano de Castilho)

Zeugma do verbo viver: "Bernardes vivia para a cela..."

Anáfora
Ocorre anáfora quando há repetição intencional de palavras no início de um período, frase ou verso.

"Grande no pensamento, grande na ação, grande na glória, grande no infortúnio, ele morreu desconhecido e só." (Rocha Lima)

"Eu quase não saio
Eu quase não tenho amigo
Eu quase não consigo
Ficar na cidade sem viver contrariado." (Gilberto Gil)

Pleonasmo

Ocorre pleonasmo quando há repetição da mesma ideia, isto é, redundância de significado.

a) Pleonasmo literário

o uso de palavras redundantes para reforçar uma idéia, tanto do ponto de vista semântico quanto do ponto de vista sintático.
É um recurso estilístico que enriquece a expressão, dando ênfase à mensagem.

"Iam vinte anos desde aquele dia
Quando com os olhos eu quis ver de perto
Quanto em visão com os da saudade via."
            (Alberto de Oliveira)

"Morrerás morte vil na mão de um forte."               (Gonçalves Dias)

"Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal"
                                   (Fernando Pessoa)

Polissíndeto
Ocorre polissíndeto quando há repetição enfática de uma conjunção coordenativa mais vezes do que exige a norma gramatical (geralmente a conjunção e ).

"Vão chegando as burguesinhas pobres,
e as criadas das burguesinhas ricas
e as mulheres do povo, e as lavadeiras da redondeza."
            (Manuel Bandeira)

"O quinhão que me coube é humilde, pior do que isto: nulo.

Nem glória, nem amores, nem santidade, nem heroísmo."
(Otto Lara Resende)

Anástrofe
Ocorre anástrofe quando há uma simples inversão de palavras vizinhas (determinante x determinado).

"Tão leve estou que foi já nem sombra tenho." (Mário Quintana)

Estou tão leve....
"Começa o Mundo, enfim, pela ignorância." (Gregório de Matos)
O mundo começa....

Hipérbato
Ocorre hipérbato quando há uma inversão complexa de membros da frase.

"Passeiam, à tarde, as belas na Avenida."     (Carlos Drummond de Andrade)
As belas passeiam na Avenida à tarde.

"Enquanto manda as ninfas amorosas grinaldas nas cabeças pôr de rosas." (Camões)
Enquanto manda as ninfas amorosas pôr grinaldas de rosas nas cabeças.

Sínquise
Ocorre sínquise quando há uma inversão violenta de distantes partes da frase. É um hipérbato exagerado.

"A grita se alevanta ao Céu, da gente."(Camões)
A grita da gente se alevanta ao Céu.
"... entre vinhedo e sebe
Corre uma linfa, e ele no seu de faia

De ao pé do Alfeu tarro escultado bebe."
            (Alberto de Oliveira)
Uma linfa corre entre vinhedo e sebe, e ele bebe no seu tarro escultado, de faia (árvore) de ao pé do Alfeu (imagem do rio Alfeu)

Hipálage
Ocorre hipálage quando há inversão da posição do adjetivo (uma qualidade que pertence a um objeto é atribuída a outro, na mesma frase)

"... em cada olho um grito castanho de ódio." (Dálton Trevisan)
...em cada olho castanho um grito de ódio..

"... as lojas loquazes dos barbeiros." (Eça de Queirós)
... as lojas dos barbeiros loquazes.

 Anacoluto
Ocorre anacoluto quando há interrupção do plano sintático com que se inicia a frase, alterando-lhe a sequência lógica. A construção do período
deixa um ou mais termos desprendidos dos demais e sem função sintática definida.

"Essas empregadas de hoje, não se pode confiar nelas" (Alcântara Machado)

"Umas carabinas que guardava atrás do guarda-roupa, a gente brincava com elas de tão imprestáveis.
(José Lins do Rego)

Silepse
Ocorre silepse quando a concordância não é feita com as palavras, mas com a idéia a elas associada.

a) Silepse de gênero
Ocorre quando há discordância entre os gêneros gramaticais (feminino ou masculino)

"O animal é tão bacana
mas também não é nenhum banana."
                  (Enriques, Bardotti e Chico Buarque)

"Admitindo a idéia de que eu fosse capaz de semelhante vilania, Sua Majestade foi cruelmente injusto para comigo"
(Alexandre Herculano)

b) Silepse de número
Ocorre quando há discordância envolvendo o número gramatical (singular ou plural).

"Esta gente está furiosa e com medo; por consequência, capazes de tudo." (Garret)

"Corria gente de todos lados, e gritavam." (Mário Barreto)

c) Silepse de pessoa
Ocorre quando há discordância entre o sujeito expresso e a pessoa verbal.

A gente não sabemos escolher presidente
A gente não sabemos tomar conta da gente."
                (Roger Rocha Moreira)

"Ambos recusamos praticar este ato."       (Alexandre Herculano)

 Figuras de pensamento
As figuras de pensamento são recursos de linguagem que se referem ao significado das palavras, ao seu aspecto semântico.

Antítese
Ocorre antítese quando há aproximação de palavras ou expressões de sentidos opostos.

"Amigos e inimigos estão, amiúde, em posições trocadas. Uns nos querem mal, e fazem-nos bem. Outros nos almejam o bem,
e nos trazem o mal." (Rui Barbosa)

"Onde queres prazer sou o que dói
E onde queres tortura, mansidão
Onde queres um lar, revolução
E onde queres bandido sou herói" (Caetano Veloso)

Apóstrofe
Ocorre apóstrofe quando há invocação de uma pessoa ou algo, real ou imaginário, que pode estar presente ou ausente.
Corresponde ao vocativo na análise sintática e utilizada para dar ênfase à expressão.

Deus!
Deus! onde estás, que não respondes?"
                    (Castro Alves)

"Tende piedade, Senhor, de todas as mulheres
Que ninguém mais merece tanto amor e amizade"
                     (Vinícius de Morais)

Paradoxo
Ocorre paradoxo não apenas na aproximação de palavras de sentido oposto, mas de ideias que se contradizem.
É uma verdade enunciada com aparência de mentira.

"O mito é o nada que é tudo." (Fernando Pessoa)

"Amor é fogo que arde sem se ver;
ferida que dói e não se sente;
um contentamento descontente;
dor que desatina sem doer." (Camões)

"Este Amor, que, afinal, é a minha vida
e que será, talvez, a minha morte,
amor que me acalora e me intimida,
que me põe fraco quanto me põe forte;
este Amor, que é um broquel e é uma ferida,
vai decidir, por fim, a minha sorte." (Hermes Fontes)

Eufemismo
Ocorre eufemismo quando uma palavra ou expressão é empregada para atenuar uma verdade tida como penosa,
desagradável ou chocante.

"Si alguma cunhatã se aproximava dele para fazer festinha,

Macunaíma punha a mão nas graças dela, cunhatã se afastava."            (Mário de Andrade)

"E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir
Deus lhe pague." (Chico Buarque)

Gradação ou Clímax
Ocorre gradação quando há uma sequência de palavras que intensificam uma mesma ideia.

"Dissecou-a, a tal ponto, e com tal arte, que ela,
Rota, baça, nojenta, vil
Sucumbiu...." (Raimundo Correia)

"Os que a servem [a Pátria] são os que não invejam, os que não infamam, os que não conspiram, os que não sublevam,
os que não desalentam, os que não emudecem, os que não se acobardam, mas resistem, mas ensinam, mas esforçam,
mas pacificam, mas discutem, mas praticam a justiça, a admiração, o entusiasmo." (Rui Barbosa)

Hipérbole
Ocorre hipérbole quando há exagero de uma idéia, a fim de proporcionar uma imagem emocionante e de impacto.

"Rios te correrão dos olhos, se chorares!"       (Olavo Bilac)

"Um quarteirão de peruca para Clodovil Pereira."              (José Cândido Carvalho)

"Na chuva de cores
Da tarde que explode
A lagoa brilha"
            (Carlos Drummond de Andrade)

Ironia ou Antífrase
Ocorre ironia quando, pelo contexto, pela entonação, pela contradição de termos, sugere-se o contrário do que as
palavras ou orações parecem exprimir. A intenção é depreciativa ou sarcástica.

"As moças entrebeijam-se porque não podem morder-se umas às outras. O beijo deles é a evolução da dentada da pré-avó." (Monteiro Lobato)

"Moça linda, bem tratada, três séculos de família, burra como uma porta: um amor." ( Mário de Andrade)

Prosopopeia
Ocorre prosopopeia quando se atribui movimento, ação, fala, sentimento, enfim, caracteres próprios de seres
animados a seres inanimados ou imaginários.

Também a atribuição de características humanas a seres animados constitui prosopopeia, como este exemplo
de Mário Quintana: "O peixinho (...) silencioso e levemente melancólico...."

"... a Lua
tal qual a dona do bordel
pedia a cada estela fria
um brilho de aluguel" (João Bosco & Aldir Blanc)
"... os rios vão carregando as queixas do caminho."
                  ( Raul Bopp)

"Um frio inteligente (...) percorria o jardim...."              (Clarice Lispector)

Perífrase/Antonomásia
Ocorre perífrase quando se cria um torneio de palavras para expressar algum objeto, acidente geográfico,
indivíduo ou situação que não se quer nomear.
Na linguagem coloquial, antonomásia/perífrase é o mesmo que apelido, alcunha ou cognome, cuja origem
é um aposto (descritivo, especificativo) do nome próprio.

"Cidade maravilhosa
Cheia de encantos mil
Cidade maravilhosa

Coração do meu Brasil." (André Filho)                   (Rio de Janeiro)

"E ao rabi simples, que a igualdade prega,
Rasga e enlameia a túnica inconsútil." (Raimundo Correia)

( Cristo)

"O Genovês salta os mares...."(Castro Alves)

Figuras de palavra
As figuras de palavras consistem no emprego de um termo com sentido diferente daquele convencionalmente
empregado, a fim de se conseguir um efeito mais expressivo na comunicação.

Comparação
Ocorre comparação quando se estabelece aproximação entre dois elementos que se identificam, ligados
por conectivos comparativos explícitos - feito, assim como, tal, como, tal qual, tal como, qual, que nem - alguns verbos - parecer, assemelhar-se e outros.

"Amou daquela vez como se fosse máquina.
Beijou sua mulher como se fosse lógico.
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas.
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro.

E flutuou no ar como se fosse um príncipe.
E se acabou no chão feito um pacote bêbado."
                    (Chico Buarque)

"A liberdade das almas, frágil, frágil como o vidro."                (Cecília Meireles)

"Meu amor me ensino a ser simples
Como um largo de igreja." (Oswald de Andrade)

Metáfora
Ocorre metáfora quando um termo substitui outro através de uma relação de semelhança resultante
da subjetividade de quem a cria. A metáfora também pode ser entendida como uma comparação abreviada,
em que o conectivo não está expresso, mas subentendido.

O tempo é uma cadeira ao sol, e nada mais."             (Carlos Drummond de Andrade)

"Supondo o espírito humano uma vasta concha, o meu fim, Sr. Soares, é ver se posso extrair pérolas, que é a razão."
(Machado de Assis)

"O Pão de Açúcar era um teorema geométrico."                     (Oswald de Andrade)

"Minhas sensações são um barco de quilha pro ar."                (Fernando Pessoa)

Metonímia
Ocorre metonímia quando há substituição de uma palavra por outra, havendo entre ambas grau de semelhança, relação,
proximidade de sentido, ou implicação mútua. Tal substituição realiza-se de inúmeros modos:

O continente pelo conteúdo e vice-versa

Antes de sair, tomamos um cálice de licor.

O conteúdo de um cálice.

A âncora pesada do sal feria.
(O mar.)

A causa pelo efeito e vice-versa

E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento."(Vinícius de Morais)

(Com trabalho)

Sou alérgico a cigarro.        (A fumaça.)

O lugar de origem ou de produção pelo produto

Comprei uma garrafa do legítimo porto.
(O vinho da cidade do Porto.)

Ofereceu-me um havana.
(Um charuto produzido em Havana.)

O autor pela obra

Ela aprecia ler Jorge Amado.
(A obra de Jorge Amado.)

Compre um Portinari.
(Um quadro do pintor Cândido Portinari.)

O abstrato pelo concreto e vice-versa:

Não devemos contar com o seu coração.
(Sentimento, sensibilidade)

A velhice deve ser respeitada.
(As pessoas idosas.)

O símbolo pela coisa simbolizada:

A coroa foi disputada pelos revolucionários.
(O poder.)

Não te afastes da cruz.
(O cristianismo.)

A matéria pelo produto e vice-versa:

Lento, o bronze soa.
(O sino.)

Joguei duas pratas no chapéu do mendigo.
(Moedas de prata.)

o inventor pelo invento:

Edson ilumina o mundo.
(A energia elétrica.)

A coisa pelo lugar:

Vou à Prefeitura.
(Ao edifício da Prefeitura.)

O instrumento pela pessoa que o utiliza:

Ele é um bom garfo.
( Guloso, glutão)

Sinédoque
Ocorre sinédoque quando há substituição de um tempo por outro, havendo ampliação ou redução do sentido
usual da palavra. Encontramos sinédoque nos seguintes casos:

O todo pela parte e vice-versa:

A cidade inteira viu assombrada, de queixo caído, o pistoleiro sumir de ladrão, fugindo nos cascos de seu cavalo."
(José Cândido de Carvalho)
( O povo. Parte das patas.)

O singular pelo plural e vice-versa:

O paulista é tímido; o carioca, atrevido.
(Todos os paulistas. Todos os cariocas.)

O indivíduo pela espécie (nome próprio pelo nome comum):

Para os artistas ele foi um mecenas.
Protetor)

Este homem é um harpagão.
(Avarento)

Catacrese
A catacrese é um tipo especial de metáfora, "é uma espécie de metáfora desgastada, em que já não se
sente nenhum vestígio de inovação, de criação individual e pitoresca. É a metáfora tornada hábito lingüístico,
já fora do âmbito estilístico" (Othon Moacir Garcia).

Exemplos de catacrese:

folhas de livro              pé de mesa
dente de alho              braço do rio
céu da boa                  leito do rio
mão de direção          barriga da perna
asas do nariz              embarca no trem

língua de fogo             miolo da questão

Leia um poema de José Paulo Paes, onde predomina a catacrese:

Inutilidades
Ninguém coça as costas da cadeira
Ninguém chupa a manga da camisa
O piano jamais abana a cauda
Tem asa, porém não voa, a xícara
De que serve o pé da mesa se não anda?
E a boca da calça se não fala nunca?
Nem sempre o botão está na sua casa
O dente de alho não morde coisa alguma.
Ah! se tratassem os cavalos do motor...
Ah! se fosse até o circo o macaco do carro....
Então a menina dos olhos comeria
Até o bolo esportivo e bala de revólver.

Alegoria
A alegoria é uma acumulação de metáforas referindo-se ao mesmo objeto; é uma figura poética que consiste
em expressar uma situação global por meio de outra que a evoque e intensifique o seu significado. Na alegoria,
todas as palavras estão transladadas para um plano que não lhes é comum e oferecem dois sentidos completos
e perfeitos - um referencial e outro metafórico.

"A vida é uma ópera, é uma grande ópera. O tenor e o barítono lutam pelo soprano, em presença do baixo e dos
comprimários, quando não são o soprano e o contralto que lutam pelo tenor, em presença do mesmo baixo e dos
mesmos comprimários. Há coros numerosos, muitos bailados, e a orquestra é excelente..."

(Machado de Assis)

"A vida é um grande poema em estrofes variadas; umas em opulentos alexandrinos de rimas milionárias; outras,
frouxas, quebradas, misérrimas, mas o refrão é um para todas, sempre o mesmo morrer. " ( Olavo Bilac)

 Figuras de harmonia ( sonoridade)
Chamam-se figuras de som ou de harmonia os efeitos produzidos na linguagem quando imitar sons produzidos por coisas ou seres.

Aliteração
Ocorre aliteração quando há repetição da mesma consoante ou de consoantes similares, geralmente em posição inicial da palavra.

Toda gente homenageia Januária na janela." (Chico Buarque)

"Quando essa preta começa a tratar do cabelo
de se olhar toda a trama da trança e transa do cabelo."
                      (Caetano Veloso)

"Chove chuva choverando." (Oswald de Andrade)

Assonância
Ocorre assonância quando há repetição da mesma vogal ao longo de um verso ou poema.

"Sou Ana, da cama
da cana, fulana, bacana
Sou Ana de Amsterdam." ( Chico Buarque)

A ponte aponta
e se desponta.
A tontinha tenta
limpar a tinta
ponto por ponto
e pinta por pinta..." (Cecília Meireles)

Paronomásia

Ocorre paronomásia quando há reprodução de sons semelhantes em palavras de significações diversas.

"Berro pelo aterro pelo desterro
berro por seu berro pelo seu erro
quero que você ganhe que você me apanhe
sou o seu bezerro gritando mamãe." (Caetano Veloso)

"Que a morte apressada seja tributo do entendimento,
e a vida larga atributo da ignorância." (Vieira)

Onomatopeia
Ocorre onomatopéia quando uma palavra o conjunto de palavras imita um ruído ou som.

"O silêncio fresco despenca das árvores.
Veio de longe,das planícies altas,
Dos cerrados onde o guaxe passe rápido...

Vvvvvvv... passou."(Mário de Andrade)

"Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r eterno."                (Fernando Pessoa)

Onomatopéia é um vocábulo de grande valor expressivo. Quando se trata de emissões sonoras humanas
(espanto, alegria, dor etc), os sons onomatopéicos obedecem aos modelos fonológicos de uma língua,
embora atinjam, de certa forma, a universalidade, já que estão sempre associados de imagens. Observe os modelos:

Emoções humanas

Iau! = dor
Uau! = alegria
Glup! = espanto
Amph! = desagrado
Ah! Ah! Ah! = gargalhada

Atos humanos

Aaargh = força
Uff = esforço físico
Chomp, chomp, chomp, chomp = corrida
Poof! Poof! = soco

A onomatopéia que imita as diferentes vozes de animais, sujeita-se à especial reconfiguração que cada língua lhe imprime:

voz do cuco port. cuco

fr. coucou
lat. cuculus
ingl. cuckoo
al. kuckuck
voz do cão port. au au
esp. guau guau
fr. ouaoua
al. wauwau
voz do gato portk. miar
fr. miauler
al. miauen
ing. to mew
                                   (Edward Lopes, Fundamentos da Linguística Contemporânea)

 

Preterição
A preterição consiste em dizer alguma coisa fingindo que não está dizendo.
Exemplos:Não vamos nem mencionar todos estes erros de português.
                  Mudemos de assunto: não vamos falar nas besteiras que você fez.