PÁGINA INICIAL DICIONÁRIO          LITERATURA                 QUEM SOMOS              FALE CONOSCO                    100 ERROS               SIMULADOS

 

“A matéria da narração, e o fato. Tal como o objeto ( matéria da descrição) tem igualmente sentido muito amplo: qualquer acontecimento de que o homem participe direta ou indiretamente"

                                                                                                              (Othon Moacyr Garcia)

Importam para a narrativa o fato (o quê?), os personagens (quem?), o modo como ocorreu (como?), o tempo (quando?), o lugar (onde?), as causas (por quê?) e as conseqüências (por isso). Apenas o fato e o personagem são elementos essenciais.

  Quanto à estrutura do enredo, a narração apresenta:

a)       exposição ou apresentação;
b)       complicação ou involução;

c)       clímax;

d)       solução ou desfecho.

 Se essa ordem for seguida, a narrativa é chamada linear.

 A narração é uma sequência de fatos (atos, ações) que se desenvolvem no tempo. O autor pode participar
desses fatos direta ou indiretamente. A narração é um tipo de composição onde há bastante dinamismo.

Um parágrafo narrativo tem como núcleo o incidente.

O HOMEM E A GALINHA

Era uma vez um homem que tinha uma galinha. Era uma galinha como as outras.
Um dia a galinha botou um ovo de ouro. O homem ficou contente. Chamou a mulher:
- Olha o ovo que a galinha botou.
A mulher ficou contente:
- Vamos ficar ricos!
E a mulher começou a tratar bem da galinha. Todos os dias a mulher dava mingau
para a galinha. Dava pão-de-ló, dava até sorvete.
E todos os dias a galinha botava
um ovo de ouro. Vai que o marido disse:
- Pra que esse luxo com a galinha? Nunca vi galinha comer pão-de-ló... Muito menos tomar sorvete!
- É, mas esta é diferente! Ela bota ovos de ouro!
O marido não quis conversa:
- Acaba com isso mulher. Galinha come é farelo.
Aí a mulher disse:
- E se ela não botar mais ovos de ouro?
- Bota sim - o marido respondeu.
A mulher todos os dias dava farelo à galinha. E a galinha botava um ovo de ouro.Vai que o marido disse:
- Farelo está muito caro, mulher, um dinheirão! A galinha pode muito bem comer milho.
- E se ela não botar mais ovos de ouro?
- Bota sim - o marido respondeu.
Aí a mulher começou a dar milho pra galinha. E todos os dias a galinha botava
um ovo de ouro. Vai que o marido disse:
- Pra que esse luxo de dar milho pra galinha? Ela que procure o de-comer no quintal!
- E se ela não botar mais ovos de ouro? - a mulher perguntou.
- Bota sim - o marido falou.
E a mulher soltou a galinha no quintal. Ela catava sozinha a comida dela. Todos
os dias a galinha botava um ovo de ouro. Uma dia a galinha encontrou o portão aberto. Foi embora e não voltou mais.
Dizem, eu não sei, que ela agora está numa boa casa onde tratam dela a pão-de-ló.
                                                                                                                                                                    
(Ruth Rocha)

Como podemos observar, o texto acima é um exemplo claro e bem-feito de um texto narrativo

ARQUITETURA DA NARRAÇÃO

  Tempo, espaço, ação, personagens, foco e discurso são elementos inerentes à construção da narrativa.

  1) TEMPO

O tempo pode ser cronológicos ou psicológico. 0 primeiro refere-se à materialidade em que se desenvolve a ação, enquanto, o psicológico não é material, não pode ser medido e flui na mente dos personagens.

  2) ESPAÇO

O espaço da narrativa é o lugar no qual se passa o que se narra.

3) AÇÃO

          A ação é a sucessão de fatos que compõem o enredo ou a história. A narração sempre é realizada sobre fatos de caráter dinâmico, onde o verbo predomina. O narrador procura organizar a ação de modo a obter uma intensificação da dramaticidade, até chegar ao ponto máximo, que normalmente é o desfecho da narrativa . Assim sendo, o enredo apresenta os seguintes estágios progressivos: apresentação, complicação, clímax e desfecho.

4) PERSONAGENS

Os personagens são os autores da ação, envolvi­dos na história. São eles que vivificam a narrativa, dina­mizando‑a, tornando‑a interessante, despertando a curiosidade do leitor diante do que está acontecendo.

5) O FOCO OU PONTO DE VISTA DA NARRATIVA

É a posição em que se coloca o narrador para contar a história, para relatar os acontecimentos que envolvem os personagens.

O narrador pode ser o próprio personagem (1ª pessoa); pode relatar simplesmente a história, apenas como observador, não se envolvendo no drama narrado ; ou pode ser uma testemunha invisível de tudo  que ocorre, em todos os lugares e todos os momentos.

6) DISCURSO

           Quando transmite pensamento expresso por personagem real ou imaginário, o narrador pode servir-se dos seguintes tipos de discurso:

a)       direto -  reproduz textualmente a fala do personagem.

           A mãe chamou seu filho e perguntou:
     _ Amanhã tem prova?

b)       Indireto – não reproduz textualmente a fala do personagem. O narrador fala pelo personagem.

           A mãe chamou seu filho e perguntou se amanhã teria prova.

        c) Indireto livre – consiste na fusão entre narrador e personagem. O enunciado do personagem insere-se no enunciado do narrador.

                 “Ele continuou a caminhar, mas sua vontade era voltar, pedir para que sua amada o perdoasse, para viverem como era antes..

IPC:  Note que as primeiras frases pertencem ao narrador, no entanto as segundas são da personagem; entretanto, não há palavras que indiquem
esta mudança, somente o contexto permite observá-la. Esse recurso torna a narrativa mais rápida e fluente, mostrando também o domínio que o
narrador possui sobre sua personagem.

            Muitos são os tipos de narração: o conto, a anedota, a fábula, o romance, a novela, a crônica, etc.

            DESCRIÇÃO            NARRAÇÃO             DISSERTAÇÃO